“Se fiz alguma coisa, foi para cumprir o meu dever”: A importância de Manoel Dias na conquista da carta sindical da Apufsc

Ex-ministro do Trabalho faleceu no último sábado, dia 22

Na última terça-feira, dia 18 de agosto de 2026, completaram-se 15 anos da expedição da carta sindical da Apufsc. No sábado, dia 22, faleceu o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias, fundamental para a conquista do documento que marcou a história do sindicalismo nacional.

A Apufsc foi a primeira entidade representativa de professores das instituições federais de ensino supeior do Brasil a receber a carta como entidade autônoma e independente no sindicalismo universitário. E Maneca, como é conhecido, e estabeleceu a interlocução entre o sindicato e o Ministério do Trabalho na época para que a obtenção do documento fosse possível.

Manoel Dias na celebração dos 13 anos da carta sindical da Apufsc (Foto: Natan Balthazar/Apufsc)

Em 2024, Maneca esteve presente no evento realizado pela Apufsc para celebrar os 13 anos da conquista da carta sindical. Na ocasião, ele foi reverenciado pelos dirigentes presentes. Presidente da Apufsc no ano que o documento foi expedido, Carlos Mussi afirmou que o ex-ministro foi “determinante na condução do processo da obtenção da carta sindical”.

Presidente do sindicato entre 2014 e 2018, Wilson Erbs avaliou a carta como o símbolo da indepência do sindicato. Já o ex-presidente da Apufsc Bebeto Marques destacou a atuação do ex-ministro e afirmou que a carta “foi uma mudança radical na democracia sindical”.

Naquela ocasião, Manoel Dias foi o último a falar, agradeceu pelas menções e afirmou: “se fiz alguma coisa, foi para cumprir o meu dever”.

Linha do tempo da carta sindical da Apufsc

Conquista histórica

“O diploma de registro sindical que o Ministro Carlos Lupi entregará à Apufsc-Sindical no dia 24 de junho de 2010 marca o reconhecimento pelo Estado dos nossos direitos constitucionais e o início de uma nova forma de fazer sindicalismo universitário no Brasil, não-partidário, mas também não apolítico, preocupado com as nossas causas trabalhistas e voltado para a vontade da maioria dos professores em sua base,” escreveu a Diretoria da Apufsc em nota publicada à época.

A mensagem registra ainda que “a autonomia e independência que a carta sindical nos dá permite-nos discutir as questões nacionais de igual para igual com outros sindicatos autônomos em uma Federação.”

“A concessão do registro consolida uma mudança de paradigma no sindicalismo universitário, agora fortemente vinculado às demandas da base dos professores universitários”, completa a Nota da Diretoria.

Carta sindical da Apufsc (Foto: Natan Balthazar/Apufsc)

Sobre Manoel Dias

Manoel Dias, secretário-geral nacional do PDT, presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) e do PDT de Santa Catarina e ex-ministro do Trabalho e Emprego no segundo mandato da ex-presidente da República, Dilma Rousseff, morreu na noite de sábado, dia 22.

Em nota em suas redes sociais, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, manifestou seu pesar:

“Hoje nos despedimos do dirigente, fundador do PDT e quem tive a alegria de chamar de amigo Manoel Dias. Sua luta pelo Trabalhismo e seu legado na construção dos núcleos de base vão seguir norteando os passos do nosso partido e inspirando as novas gerações. Ao lado de Brizola, Darcy, Jango e Getúlio, nosso eterno Maneca se junta para olhar e zelar pelo nosso partido de onde estiver”, afirmou o líder pedetista.

Natural de Criciúma, Manoel Dias iniciou sua vida pública na década de 1960, atuando como líder estudantil. Em 1962, foi eleito para o seu primeiro cargo político como vereador de Içara pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dois anos depois, ele teve seu mandato cassado após o Golpe Militar de 1964, tendo sido mantido preso por onze meses.

Em 1965, Dias participou da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Santa Catarina, vindo a ser eleito deputado estadual para a 6ª legislatura (1967-1971) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Contudo, com a decretação do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), em 1969, o trabalhista voltou a ser cassado, e teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos.

Nesse período, Manoel Dias graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1970, e passou a advogar em Criciúma. Após a anistia, em 1979, ele se mudou para Florianópolis, com o objetivo de recriar o PTB, que no ano seguinte foi registrado pelo grupo político de Ivete Vargas.

Diante da necessidade de atuar em um partido genuinamente trabalhista, no início de 1980, ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças, Manoel Dias fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Foi candidato a deputado estadual em 1982, a governador em 2006 e a vice-governador em 2010, no entanto não logrou êxito. Na década de 1990, participou do governo de Brizola no Rio de Janeiro, sendo diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

Em 15 de março de 2013, Manoel Dias assumiu o posto de ministro do Trabalho e Emprego no governo de Dilma Rousseff. Em 31 de dezembro de 2014, sua permanência no comando do ministério foi confirmada para o segundo governo Dilma.

“Ao longo de mais de seis décadas de vida pública, Manoel Dias se manteve fiel aos ideais trabalhistas que o levaram, ainda jovem, a fundar o PDT ao lado de Leonel Brizola. Mesmo diante da cassação, da prisão e da suspensão de seus direitos políticos durante a ditadura militar, jamais abandonou a defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Sua trajetória, marcada pela resistência e pelo compromisso com a construção dos núcleos de base do partido, deixa um legado que segue vivo na história do trabalhismo brasileiro”, disse o PDT em nota.

Imprensa Apufsc
Com informações do PDT