Projeto de Extensão da UFSC passa a integrar o Mapa da Cultura viva do país
O Cine Paredão, projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi reconhecido pelo Ministério da Cultura (MinC) como Ponto de Cultura. A conquista, que certifica grupos, coletivos e entidades sem fins lucrativos que realizam ações culturais diretamente nas comunidades, é resultado de um esforço conjunto do egresso do Curso de Cinema Eduardo Gonçalves Dias e da professora Clélia Mello, coordenadora do Cine Paredão.
A certificação do MinC ocorre por meio do Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura, ferramenta oficial da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) integrada ao Mapa da Cultura. Fundamentado pela Lei nº 13.018/2014 e pelas Instruções Normativas nº 08/2016 e nº 12/2024, o processo avalia o histórico e o impacto das entidades. Após a aprovação por uma comissão, é emitido um certificado digital pela Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, integrando o projeto ao mapa georreferenciado da Rede Cultura Viva.
A trajetória do Cine Paredão teve início em 2007, com uma projeção experimental realizada na fachada do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH). No primeiro semestre de 2008, o projeto começou a se estruturar com a participação de Milena Abreu, responsável pela elaboração dos cartazes, e Rafaela Amaral, pela curadoria dos filmes, ambas egressas do curso de Ciências Sociais. Nesse período, o projeto também contou com a parceria de Iam Campigotto, então estudante do ensino médio.
Em sua fase inicial, o Cine Paredão funcionava de forma colaborativa, com o apoio do Centro Acadêmico Livre de Ciências Sociais (CALCS) e o suporte institucional da professora Maria Soledad Etcheverry Orchard, então coordenadora do curso de Ciências Sociais.
A virada para os chamados “anos de ouro” do projeto ocorreu entre 2009 e 2012, período em que a iniciativa conquistou seu primeiro apoio institucional efetivo, por meio da Secretaria de Cultura e Arte (Secarte) da UFSC. Nesse contexto, o Cine Paredão foi formalmente registrado como projeto de extensão vinculado ao curso de Cinema, o que garantiu suporte logístico para a impressão de cartazes e a concessão de bolsas, que chegaram a quatro por ano entre 2009 e 2010.
O cineclube contou com a colaboração de voluntários e bolsistas de cursos como Cinema, Jornalismo, Design, Letras, Filosofia, Ciências Sociais e Oceanografia, entre outros. Além das exibições no Bosque do CFH, o projeto promovia oficinas de crítica em escolas públicas, exibições em outros espaços culturais de Florianópolis e a produção anual de 30 a 40 cartazes.
De acordo com a professora Clélia Mello, a infraestrutura do cineclube sofreu impactos negativos a partir de 2016, época em que as restrições orçamentárias na UFSC resultaram no sucateamento de equipamentos e na escassez de bolsas. “A crise se aprofundou nos anos seguintes e durante a pandemia de covid-19, quando as exibições migraram temporariamente para o ambiente virtual. No retorno presencial, o projeto passou a depender de equipamentos doados ou pessoais, enfrentando redução de bolsas, más condições do local de exibição e uma mudança no perfil do público, que caiu de uma média de 30 espectadores para cerca de 10 pessoas por sessão”, recorda.
Apesar das adversidades, o Cine Paredão mantém suas atividades ininterruptas desde 2008. Ao longo desse percurso, sempre contou com o apoio logístico do Curso de Cinema, do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), do CFH e especialmente da Secarte, consolidando-se, agora, como Ponto de Cultura.
Todas as sextas-feiras, às 19h, o Bosque do CFH recebe exibições gratuitas e abertas a toda a comunidade. Em caso de chuva, o evento geralmente acontece no auditório do Bloco B do CFH. Para acompanhar a programação atualizada e obter mais informações, acesse o Instagram do Cine Paredão.
