Zema propõe alterações mais profundas e o fim da estabilidade; Lula evita rótulo de reforma administrativa, destaca o Jota
Depois de tentativas frustradas no Congresso nos últimos anos, a reforma administrativa deve voltar a ter força no debate político no próximo governo. O tema aparece na campanha presidencial, embora os candidatos apresentem diferentes diagnósticos e caminhos para reformar o Estado.
Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) adotam expressamente o rótulo de reforma administrativa em seus programas, com propostas que alcançam, em diferentes graus, vínculos e carreiras dos servidores, avaliação de desempenho, supersalários, estrutura de ministérios e profissionalização da gestão. Lula (PT), por outro lado, não utiliza a expressão em seu programa e concentra as propostas na gestão de pessoas, na valorização dos servidores e na modernização da administração pública.
O Jota analisou os planos de governo dos seis candidatos que melhor têm pontuado nas pesquisas eleitorais mais recentes. Entre eles, Zema apresenta as mudanças mais profundas nas regras do funcionalismo. A promessa é fazer uma reforma “que reduza gastos e deixe o governo enxuto e eficiente”. Inclui diminuir o número de ministérios, cortar cargos comissionados e rever autarquias e fundações. Ele também propõe vínculos por tempo indeterminado “sem estabilidade ampla”.
Do lado oposto está Lula. A “reforma administrativa” não é citada. Na campanha pela reeleição, o presidente foca na reestruturação da gestão de pessoas, na valorização e na negociação com servidores, no compartilhamento de estruturas administrativas e na ampliação das cotas no serviço público, em uma linha de continuidade das medidas conduzidas pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).
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