Querem o meu voto?

*Por Nestor Roqueiro

Levamos um banho de cidadania vindo das ruas. Em mim, serviu para lavar anos de marasmo e descaso com os de a pé, com aqueles que não participam dos acertos palacianos, com os que nunca são consultados, a não ser às vésperas das eleições. Está mais do que claro, para quem quiser ver, que o futuro do país não está nos partidos, nem nos congressos, nem nas cortes: está nas ruas. É aí que precisamos estar para que o país avance.

Dito isso, vamos para o quintal.

Temos dois amontoados que pretendem disputar os despojos do sindicato. Nenhum dos dois representa grande coisa, e ambos são especialistas em futricas de galinheiro. A classe precisa de gente séria e humilde para dirigir o movimento docente. Precisamos de dirigentes que falem menos e ouçam mais. Precisamos voltar a acreditar que é a mobilização da classe que vai produzir as mudanças que almejamos, e não um bando de “representantes” surdos, “articulados” com as instâncias de poder. Temos que colocar, novamente, a base na tomada de decisões. E não podemos permitir que nem o assembleísmo nos condene à imobilidade, nem os profissionais da “negociação” nos afastem das decisões.

Lamentavelmente, é isso que está posto para escolher, caso a eleição seja realizada agora. Seria muito oportuno abrir a possibilidade de inscrição de novas chapas na disputa, formadas principalmente por jovens. Ter duas chapas lideradas por aposentados é o fim da picada. Como vão liderar um movimento grevista, se isso for necessário? Vão dizer, do conforto da aposentadoria, que os da ativa têm que carregar o fardo da reposição de aulas?

Mas… se a eleição não for adiada para permitir a inscrição de novas chapas, é isso que está aí o que temos…

Então, voltemos ao título.

Já que não são capazes de pensamento estratégico — é só conferir até onde nos trouxeram —, vamos para o plano tático.

Considerando que, no período Temer-Bolsonaro, perdemos 40% do poder aquisitivo (vide estudo que fizemos oportunamente com o colega Cassarotto) e que, no governo atual, apenas estancamos essa perda (a ver o que vai acontecer no início de 2027…), está claro que a principal atividade do sindicato deve ser batalhar pela recomposição salarial.

Em termos táticos, gostaria de saber de ambas as candidaturas quais são as ações que pretendem realizar para mobilizar a categoria e ir às ruas cobrar do governo o atendimento às nossas reivindicações. Sim, nas ruas, como apontei no início do texto. Se não souberem como colocar a categoria nas ruas, não podem se chamar de sindicalistas e não merecem o meu voto.

*Nestor Roqueiro é professor do Departamento de Engenharia de Automação e Sistemas da UFSC

Artigo recebido às 19h45 do dia 26 de outubro de 2026 e publicado às 8h15 do dia 27 de outubro de 2026