Ministério das Cidades e UFSC atuam em projeto na comunidade Frei Damião, em Palhoça

Objetivo é desenvolver melhorias habitacionais e urbanísticas no território da comunidade

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é uma das cinco instituições públicas de ensino superior do país convidadas pelo Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, a participar de um projeto para atendimento de demandas sociais e melhoria da qualidade de vida em áreas periféricas. Em Santa Catarina, a iniciativa é desenvolvida na comunidade Frei Damião, em Palhoça, na Grande Florianópolis.

Com 12 mil habitantes em situação de vulnerabilidade econômica, a Frei Damião é a maior favela de Santa Catarina, segundo dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho na comunidade conta com a participação da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). A professora Soraya Nór é uma das coordenadoras da iniciativa.

Além da UFSC, também as universidades federais da Bahia (UFBA), da Paraíba (UFPB), de Sergipe (UFSE) e de Brasília (UnB) foram selecionadas pelo Ministério das Cidades a realizarem trabalhos sociais semelhantes.

Desenvolvido pelas turmas de residência em Assessoria Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis) do Departamento de Arquitetura e Urbanismo (ARQ) da UFSC, o projeto “Periferia Viva Frei Damião” começou em fevereiro de 2024. “O objetivo é desenvolver melhorias habitacionais e urbanísticas no território da comunidade Frei Damião”, explica a professora Soraya.

Segundo dados de 2022 do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom), 42% da população da Frei Damião está na faixa de extrema pobreza e 90% têm renda familiar de até dois salários mínimos. A reciclagem de resíduos sólidos é o trabalho de cerca de 80% das famílias, muitas migrantes de outras regiões do país.

“A Frei Damião foi escolhida porque é uma das áreas de maior vulnerabilidade socioambiental de Santa Catarina, com problemas de acesso à renda, à segurança alimentar, à educação formal, entre outros”, explica o professor Ricardo Socas Wiese, outro coordenador do projeto.

Vulnerabilidade

No total, cerca de 4 mil famílias vivem no local, que ocupa uma área de aproximadamente de 30 mil metros quadrados no Bairro Brejaru, vizinho à Pedra Branca. As atividades são articuladas em torno dos eixos Melhorias Habitacionais, Infraestrutura Urbana, Equipamentos Sociais e Fortalecimento Social e Comunitário.

“Por ser uma comunidade sócio e ambientalmente vulnerável, acreditamos que as atividades desenvolvidas pela equipe podem contribuir para a melhoria das condições de vida da população, minimizando os efeitos das desigualdades socioeconômicas, ampliando o acesso da comunidade aos serviços essenciais, à dinâmica urbana e às políticas públicas, resultando no fortalecimento da cidadania e do sentimento de pertencimento ao território”, observa o professor Samuel Steiner dos Santos, também coordenador da atividade.

Até a metade de 2025, o projeto havia construído o Galpão Semente da ONG Mulheres em Ação, espaço multifuncional planejado para ser um ponto de encontro e articulação comunitária, promovendo atividades culturais, oficinas e outras iniciativas sociais. Também mapeou vias de endereço a moradias e está realizando um censo comunitário, além de ter desenvolvido o projeto de ampliação da Escola Básica Frei Damião, da nova Unidade Básica de Saúde (UBS), do galpão de reciclagem de resíduos e dos módulos individuais e coletivos de banheiros.

“Todos as ações foram originárias de processo participativo e de articulação com a Associação de Moradores e com a prefeitura de Palhoça, além de também serem alinhadas com as diretrizes do Plano de Ação do Ministério das Cidades”, detalha a professora Soraya, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.

Mais alunos

A inauguração da ampliação da Escola Básica Frei Damião ocorreu no dia 3 de julho. Com as duas novas salas de aula projetadas pela turma do projeto, a escola abre espaço para 120 novos alunos do Ensino Fundamental. 

Na comunidade também foi instalado um Posto Territorial do projeto para atendimento da população local e apoio à equipe de trabalho. Também são desenvolvidas oficinas e reuniões voltadas aos adultos e ações específicas com as crianças. “O projeto visa desencadear um efeito sistêmico sobre o território de atuação, promovendo a valorização dos moradores, contribuindo para sua autoestima e protagonismo social, possibilitando assim a criação de espaços catalisadores de oportunidades de emancipação comunitária”, observa a professora Soraya. “A participação e a receptividade da comunidade têm sido bastante positivas”, destaca a coordenadora do trabalho que envolve, entre professores, residentes, técnicos, estudantes da graduação e pós-graduação, cerca de 50 participantes.

Fonte: Notícias UFSC e Revista Fapeu