Pesquisador da UFSC integra levantamento internacional para investigar a Via Láctea

Roberto Saito é professor do Departamento de Física da UFSC

O professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Roberto Saito, participou de um novo levantamento internacional chamado KMOS VVVX-GalCen Spectroscopic Survey, que irá investigar dezenas de milhares de objetos na região central da Via Láctea. 

As observações são realizadas no Very Large Telescope (VLT), um dos observatórios ópticos mais avançados do mundo, localizado no Observatório de Cerro Paranal, no deserto do Atacama, no norte do Chile. O telescópio é operado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO).

O projeto é o primeiro grande survey espectroscópico liderado a partir do Chile, e foi selecionado como um dos dois grandes programas que utilizarão o instrumento KMOS (K-band Multi Object Spectrograph) ao longo dos próximos três anos. Surveyé é um levantamento sistemático do céu. No total, o projeto recebeu 140 noites de observação, o que corresponde a um investimento científico estimado em cerca de US$ 8 milhões em tempo de telescópio.

A iniciativa é liderada pelos astrônomos Matías Gómez, da Universidad Andrés Bello (Chile), e Francisco Nogueras-Lara, do Instituto de Astrofísica de Andalucía (Espanha). O professor Saito integra o grupo central de pesquisadores do levantamento e atua como responsável por uma das áreas científicas do projeto. Parte do planejamento científico do levantamento do projeto ocorreu durante o 12th VVV Science Meeting, realizado em Florianópolis em abril de 2025, encontro internacional que reuniu pesquisadores envolvidos nossurveys VVV (VISTA Variables in the Via Lactea) e VVVX (VVV eXtended).

“A primeira noite de observações no Cerro Paranal foi acompanhada de forma remota e ocorreu sem problemas. Agora começa a etapa de análise dos primeiros espectros”, explica o pesquisador.

De acordo com o professor, os alvos observados foram selecionados a partir de dois levantamentos anteriores muito bem-sucedidos: o VVV/VVVX, que mapeou grande parte da Via Láctea em luz infravermelha ao longo da última década, e o GALACTICNUCLEUS, um survey de alta resolução das regiões mais internas da nossa galáxia. O novo survey irá obter espectros, técnica que permite decompor a luz dos objetos celestes e revelar propriedades como composição química, temperatura e velocidade.

Entre os principais objetivos científicos estão o estudo de planetas errantes que vagam livremente pelo espaço, aglomerados estelares escondidos pela poeira da galáxia, regiões de formação estelar e galáxias distantes escondidas atrás do plano da Via Láctea. No futuro, o survey também deverá incluir observações espectroscópicas de objetos identificados pelo Legacy Survey of Space and Time (LSST), ampliando as possibilidades científicas do projeto.

Fonte: Notícias da UFSC