*Por Emeson Tavares da Silva, Cleyton de Oliveira Ritta, João Rafael de Faveri Leacina, Maiza Maria Ramos, Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão
É inegável que a reitoria do professor Irineu estabeleceu uma gestão antirracista na Universidade Federal de Santa Catarina.
Durante seus quase quatro anos de gestão, consolidaram-se conquistas há muito tempo buscadas pela comunidade negra da UFSC e, em verdade, pelo movimento negro catarinense e brasileiro.
Logo no primeiro mês de gestão, o professor Irineu criou a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), elevando a antiga estrutura existente e tornando a UFSC uma das primeiras universidades federais a instituir uma pró-reitoria dedicada exclusivamente às políticas de ações afirmativas e equidade.
Ainda nos primeiros meses, após uma construção coletiva e democrática – marcas constantes da atual Reitoria – e em diálogo com a comunidade, esta gestão conduziu a aprovação da Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional, aprovada por unanimidade no Conselho Universitário (CUn). Na ocasião, estabeleceram-se normas claras para identificar, denunciar e encaminhar casos de racismo e outras formas de discriminação, abrangendo também o combate a práticas como xenofobia, antissemitismo, nazismo e racismo epistêmico.
Essa política dá ênfase às ações educativas, à formação e à prevenção de práticas preconceituosas e, também, prevê o acolhimento às vítimas e canais institucionais de denúncia. Isso dialoga com outra inovação da atual gestão da UFSC: a criação do Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (Seavis), no âmbito da Proafe, com atendimento a toda a comunidade universitária e ampla abrangência — o que inclui vítimas de racismo.
Além da criação de estruturas e mecanismos institucionais de combate ao racismo, a gestão do professor Irineu, por meio da Proafe, elaborou e lançou o Guia de Enfrentamento ao Racismo Institucional. Trata-se de um material educativo que orienta a comunidade universitária sobre temas como racismo, antirracismo, branquitude, xenofobia e equidade. O guia identifica e explica comportamentos e práticas que caracterizam racismo em ambientes institucionais, além de apresentar orientações sobre como proceder diante desses casos e sobre os mecanismos de acolhimento às vítimas.
Outro avanço importante dessa gestão, no enfrentamento das desigualdades raciais na UFSC, foi a atualização das normas que regulam o ingresso na carreira do magistério superior. Em março/2025, o CUn, sob a condução do Reitor, aprovou a revisão da Resolução Normativa nº 34/2014, ampliando a reserva de vagas em concursos docentes para 30% e incluindo indígenas e quilombolas entre os beneficiários das políticas de ação afirmativa. A medida baseou-se em dados que evidenciam a profunda desigualdade racial no quadro docente da universidade e reforça o compromisso institucional com a democratização do acesso à carreira acadêmica. Ao lado de outras iniciativas voltadas à equidade, a decisão demonstra um esforço consistente para enfrentar barreiras históricas de acesso e construir uma universidade mais diversa e representativa.
Para uma nova gestão, o professor Irineu e o professor Moretti se comprometem com o fortalecimento de estruturas institucionais de equidade e acolhimento, como o Seavis, além da ampliação das ações afirmativas destinadas a estudantes negros, povos originários, quilombolas e pessoas trans.
Por isso, convidamos a comunidade universitária a refletir sobre os avanços já conquistados e os compromissos assumidos com a construção de uma universidade pública mais justa, inclusiva, diversa e socialmente responsável.
Mais do que anunciar novos compromissos, a continuidade desta gestão, com importantes acréscimos do professor Rodrigo Moretti e de outros atores que se juntaram a esta caminhada, representa a consolidação de políticas institucionais que colocaram a UFSC na liderança do enfrentamento ao racismo e das desigualdades no ensino superior público brasileiro.
Por essas razões, manifestamos nosso apoio à chapa liderada pelos professores Irineu e Rodrigo Moretti. Acreditamos que a continuidade desse projeto é fundamental para consolidar os avanços já conquistados.
*Emeson Tavares da Silva é professor do curso de Educação do CED/UFSC; Cleyton de Oliveira Ritta é professor do Departamento de Ciências Contábeis (CSE/UFSC); João Rafael de Faveri Leacina é secretário do Gabinete do Reitor; Maiza Maria Ramos é coordenadora de Análise de Projetos e Governança da Reitoria; Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão é pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade
Artigo recebido às 22h57 do dia 13 de abril de 2026 e publicado às 9h15 do dia 14 de abril de 2026
