Nota da Diretoria: Lições sobre a consulta

A consulta (informal) para eleição da Reitoria demonstrou a falência de um processo que, por anos, buscou driblar uma legislação marcada pela hierarquização entre as categorias que compõem a comunidade universitária. O efeito prático apontado era a exclusão de eleitores por meio da diminuição do peso de duas dessas categorias. Paradoxalmente, por imposição daqueles que sempre se sentiram lesados pela legislação e denunciavam essa hierarquização, a última consulta foi marcada pela exclusão de eleitores ao se impor a votação presencial.

A opção por excluir eleitores não foi um deslize ou um erro de compreensão, mas algo pensado como estratégia eleitoral em favor de uma candidatura que, somada a um calendário enxuto, visava produzir vantagens eleitorais. Contudo, para aqueles que impuseram tal estratégia, o efeito foi o contrário.

As fragilidades e os litígios dentro da coordenação do processo informal expressaram a impossibilidade de se estabelecerem consensos políticos mínimos entre as entidades — algo essencial ao bom andamento do processo e ao seu reconhecimento junto à comunidade universitária.

Nosso sindicato denunciou inúmeras vezes o golpe desferido contra o regimento da Comissão Eleitoral. Com o regramento contestado e diante da impossibilidade proposital de funcionamento da Comissão de Ética, impôs-se a lei do mais forte, e toda sorte de atitudes oportunistas veio à tona.

Muitos têm se referido a essa consulta como a pior de todos os tempos. Com exíguo tempo para o contato dos candidatos com os eleitores, para o debate de ideias e propostas, bem como para a realização de debates entre as chapas, a campanha foi marcada pela violência política, com ataques de ódio e disseminação de mentiras nas redes sociais, algo que contraria a própria natureza da universidade, que deve primar pelo conhecimento e pela boa informação.

Assim, o modelo de consulta informal para uma finalidade tão importante parece definitivamente esgotado. Com a nova legislação sobre a escolha de reitores para as universidades federais, que delega a cada instituição a organização e o sistema de escolha, é imperativo que nosso Conselho Universitário (CUn) se debruce logo sobre o tema e aprove uma resolução específica a respeito.

Agora a palavra está com o CUn, que deverá eleger formalmente, considerando a legislação atual, a dupla que comandará a nova Reitoria 2026-2030. Esperamos que tudo transcorra tranquilamente, como foi nas eleições passadas e, do mesmo modo, que a transição à nova equipe preserve os interesses e necessidades acadêmicas e administrativas da UFSC.

É preciso ressaltar, mais uma vez, que desde o início a diretoria da Apufsc-Sindical alertou sobre os problemas aqui apontados. Cumprimos nosso papel.

Desejamos bom trabalho ao futuro reitor e à futura vice-reitora.