Instalação do comitê depende da concordância dos moradores
A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apresentou, na última quinta-feira, dia 17, na Sala dos Conselhos, uma proposta para criação de comitê independente, plural e especializado para analisar e mediar as questões jurídicas, sociais e humanas da Moradia Estudantil, que atualmente abriga 150 estudantes, e ainda promover o diálogo entre os moradores e a instituição.
O reitor Amir de Oliveira destacou a responsabilidade institucional de acolher estudantes em situação de vulnerabilidade e defendeu uma abordagem humanizada no tratamento das questões envolvendo a Moradia Estudantil. Amir reconheceu que a UFSC ainda não possui vagas e estrutura suficientes para atender a demanda. Ressaltou, porém, que a falta de condições imediatas não elimina a responsabilidade da instituição. Para ele, a universidade deve continuar garantindo o acesso por meio do Vestibular, do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e das políticas de cotas, ao mesmo tempo que trabalha para fortalecer essa estrutura de assistência estudantil. Nesse sentido, o comitê de mediação poderá contribuir para organizar o diálogo, aproximar os diferentes segmentos e tratar os conflitos existentes.
“Cada pessoa importa”, enfatizou o reitor. Para ele, esse princípio deve orientar tanto as políticas de inclusão e permanência quanto a atuação institucional. A criação de um comitê de mediação insere-se nessa perspectiva ao propor um espaço plural e estruturado para a escuta das partes, a análise dos problemas e a busca de encaminhamentos conjuntos. Mais do que solucionar questões pontuais, a iniciativa poderá colaborar para o desenvolvimento de uma política de acolhimento compatível com o compromisso da universidade pública, gratuita e inclusiva.
A professora do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e integrante do Núcleo de Mediação e Conciliação Jéssica Gonçalves Formigheri detalhou a proposta de criação do comitê interdisciplinar, formado por professores, assistentes sociais, psicólogos e profissionais de outras áreas capazes de contribuir para a compreensão das diferentes demandas. Também foi sugerida a participação de um mediador externo, que possa oferecer uma perspectiva independente da comunidade universitária. A composição do grupo deverá considerar a diversidade e a representatividade, reunindo integrantes com diferentes trajetórias, formações e experiências.

De acordo com a professora, foram identificados inicialmente dois grandes eixos. O primeiro é jurídico e envolve a validade de uma assembleia realizada pelos estudantes, questão que deverá ser analisada pela Procuradoria Federal junto à UFSC. O segundo reúne aspectos sociais e situações que podem demandar análise e acompanhamento especializados.
Segundo a professora, a instalação do comitê depende da concordância dos moradores. Caso a proposta seja aceita, deverão ser definidas de maneira organizada as pautas, as agendas de trabalho e a composição do grupo. A mediação permitiria que as manifestações das diferentes partes fossem conduzidas por profissionais especializados, reduzindo ruídos de comunicação e favorecendo a construção conjunta de encaminhamentos.
“Nosso objetivo enquanto comitê não é seguir nenhum lado. A ideia é estar no meio e permitir que as partes envolvidas possam chegar a um denominador comum”, explicou. Jéssica também destacou a importância de separar as pessoas dos problemas, concentrando o debate nas questões concretas que precisam ser enfrentadas. A proposta deverá ser formalizada pela Reitoria e encaminhada aos estudantes moradores, que se comprometeram a analisá-la na próxima assembleia da casa.
Fonte: Notícias da UFSC
