Projeto da UFSC recebe R$ 5 milhões para estruturar economia espacial de Santa Catarina

Iniciativa busca aproximar oferta tecnológica das demandas da sociedade e dos setores produtivos

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve aprovada a proposta de criação do Observatório da Economia Espacial Catarinense (OESC), projeto coordenado pelo professor Eduardo Augusto Bezerra, do Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais (SpaceLab). O valor aprovado para fomento pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) é de R$ 4.995.313,60, com execução prevista em 26 meses.

Para integrar a equipe do Observatório, o SpaceLab abriu seleção para 41 bolsas destinadas a estudantes e profissionais, com valores mensais entre R$ 984,82 e R$ 5.200. As inscrições estão abertas até quarta-feira, dia 30, de acordo com as regras do edital.

O projeto foi selecionado no Edital de Chamada Pública Fapesc nº 27/2026, que previa até R$ 5 milhões ao financiamento de uma única iniciativa estruturante para integrar e fortalecer as capacidades catarinenses relacionadas à nova economia espacial, também conhecida como New Space.

Intitulado “OESC – Observatório da Economia Espacial Catarinense: Mapeamento, Diagnóstico e Planejamento da Nova Economia Espacial de Santa Catarina”, o projeto permitirá a criação de uma plataforma permanente de inteligência estratégica. O objetivo é reunir informações sobre as capacidades científicas, tecnológicas, industriais e institucionais do estado e transformá-las em diagnósticos, instrumentos de planejamento e subsídios para decisões públicas e privadas.

O observatório será implantado junto à Estação Terrena de Satélites e ao Hub de Inovação do SpaceLab. A iniciativa conectará universidades, centros de pesquisa, empresas, startups, fornecedores da cadeia produtiva e órgãos governamentais, aproximando a oferta tecnológica das demandas da sociedade e dos setores produtivos.

Santa Catarina reúne competências reconhecidas em sistemas espaciais, telecomunicações, inteligência artificial, ciência de dados, microeletrônica, automação, manufatura avançada, instrumentação científica, energia e oceanografia. A proposta identifica, entretanto, que essas capacidades ainda se encontram dispersas e sem um mecanismo contínuo de integração e acompanhamento.

Bolsas para estudantes e profissionais

A seleção contempla 20 bolsas de Iniciação Científica (IC), no valor mensal de R$ 984,82; 10 bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial na modalidade DTI-B, de R$ 3.900 mensais; e 11 bolsas na modalidade DTI-A, de R$ 5.200 mensais.

As oportunidades abrangem tecnologia, dados, sistemas espaciais, geotecnologias, gestão, inovação e divulgação científica, com diferentes perfis de formação e experiência.

As bolsas têm vigência inicial de até 12 meses, com dedicação de 30 horas semanais e exigência de residência em Santa Catarina durante o período da bolsa. Os interessados devem consultar o edital para verificar os requisitos específicos de cada perfil e as orientações para inscrição.

Conhecimento público e planejamento estratégico

Ao longo da execução, a equipe realizará um mapeamento estadual e sistemático de empresas, startups, Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), laboratórios, projetos, infraestrutura e recursos humanos ligados ao setor espacial.

O levantamento permitirá identificar lacunas, demandas e oportunidades nos segmentos upstream e downstream da cadeia de valor. O primeiro (upstream) compreende atividades como o desenvolvimento de satélites, componentes, materiais e sistemas de lançamento. O segundo (downstream ) abrange aplicações, serviços e negócios baseados em dados e tecnologias espaciais.

Entre as entregas previstas estão o Atlas da Economia Espacial Catarinense, uma plataforma digital com dados e indicadores de acesso público; o Censo Estadual do Setor Espacial; um plano estratégico de curto, médio e longo prazo e uma carteira de projetos prioritários para atração de investimentos e fomento à inovação.

O OESC também produzirá relatórios de inteligência econômica e tecnológica, estudos aplicados e provas de conceito. Estão previstas ainda ações de formação e capacitação, além da criação da Rede Catarinense da Economia Espacial, destinada a manter a interlocução entre academia, governo, indústria e demais organizações do ecossistema.

Os resultados deverão orientar pesquisas, políticas públicas e investimentos, além de contribuir para a transferência de tecnologia, a criação de novos negócios, a geração de empregos qualificados e a participação de instituições catarinenses em programas nacionais e internacionais.

Tecnologias espaciais para desafios catarinenses

O projeto investigará como tecnologias e dados espaciais podem ser aplicados a demandas concretas de Santa Catarina. Entre as áreas contempladas estão agricultura de precisão, monitoramento ambiental e de desastres naturais, apoio à defesa civil, gestão de recursos hídricos, logística, telecomunicações, inclusão digital e economia do mar.

A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), ao Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Construção em rede

A elaboração do projeto reuniu integrantes vinculados à UFSC, Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Universidade de Brasília (UnB), Universidade da Força Aérea (Unifa), Universidade de Montpellier (França), Centro Universitário SATC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Webphy Tecnologia e Instituto STAR T, além de parceiros estratégicos do Brasil e exterior.

O OESC se apoia em mais de três décadas de atuação da UFSC no setor espacial. Essa trajetória inclui pesquisa, formação de recursos humanos, o curso de Engenharia Aeroespacial, a articulação de programas de pós-graduação e o desenvolvimento de missões como FloripaSat-1, FloripaSat-2A, FloripaSat-2B, GOLDS-UFSC e Constelação Catarina.

Ao consolidar dados e conexões atualmente dispersos, o observatório pretende transformar a experiência acumulada no estado em conhecimento público, cooperação institucional e oportunidades de desenvolvimento científico, social e econômico.

Fonte: Notícias da UFSC