*Por Claudemir Osmar da Silva, Mailiz Garibotti Lusa e Ricardo Souza Araujo
Nosso país vivencia um cenário eleitoral caótico, em que se observa um grande avanço do projeto da extrema direita. Há anos as universidades públicas amargam um subfinanciamento crônico: restrição de vagas e diminuição dos concursos públicos, resultando em sobrecarga docente para responder às demandas institucionais; precarização da infraestrutura; queda dos investimentos na pesquisa e na extensão e muito mais. Infelizmente, o resultado do primeiro turno eleitoral no último domingo sinaliza a piora desse cenário.
Para além do já famigerado arcabouço fiscal, que estrangula os investimentos sociais, um possível governo da candidatura de Flávio Bolsonaro destruirá definitivamente o orçamento público das universidades federais, uma vez que prevê a transferência delas do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Mais do que uma alteração administrativa, na prática, esse ato significará a redução de mais de 90% do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), colapsando seu funcionamento e empurrando sua gestão para o setor privado.
Neste possível cenário, eleva-se o risco da aprovação da Reforma Administrativa, a partir da qual passa a existir o Estado Subsidiário, modelo imposto por Pinochet no Chile, por meio do golpe de 1973. Neste modelo tudo é de prerrogativa privada e o Estado só atua onde não há interesse empresarial. No âmbito do trabalho docente, isso significa o fim de conquistas históricas, como a estabilidade, os planos de carreira, os concursos públicos, entre outras. Significa também o aprofundamento do modelo previdenciário de capitalização, que se tornará o único regime previdenciário. Concretamente, coloca-se o nosso futuro em risco no cassino das finanças, sem qualquer garantia de uma aposentadoria segura. Para o povo, restará o fim da gratuidade da educação, com ’vouchers‘ para poucos daqueles que não puderem pagar seus estudos.
Trata-se de uma política de ódio declarada à ciência, ao pensamento crítico e às políticas de ações afirmativas, que coloca as universidades, inclusive nós, professores, como inimigos do povo.
Então, mais do que nunca, precisamos da mobilização coletiva para continuar tendo perspectiva de futuro para as universidades e, nelas, para o trabalho docente. Precisamos de um sindicato forte, representativo e que construa a luta junto com a base. Um sindicato que realize assembleias e una forças com técnicos administrativos e estudante em defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
Nesta luta sindical não é possível neutralidade em nome da representação da diversidade. Ora, a diversidade que defendemos enriquece a nossa universidade e as lutas tão necessárias para que continuemos construindo a universidade popular que ainda sonhamos. A neutralidade, pelo contrário, compactua com a asfixia da universidade e com a destruição do nosso trabalho docente enquanto servidores públicos do povo brasileiro.
Por isso, seguiremos nas trincheiras por um sindicato forte, democrático, participativo e de luta!
*Claudemir Osmar da Silva, Mailiz Garibotti Lusa e Ricardo Souza Araujo são docentes do Departamento de Serviço Social (CSE/UFSC)
Artigo recebido às 8h46 do dia 9 de outubro de 2026 e publicado às 12h03 do mesmo dia
