A irresponsabilidade da Chapa 1

*Por Adriano Duarte

A Chapa 1 “Mobiliza Apufsc: base, democracia e luta”, e seus apaniguados, notórios defensores da Andes-sn: Paulo Rizzo, Carlos Soares, Célia Vendramini, Tiago Montagna e Ricardo Souza Araújo moveram duas ações judiciais exigindo uma nova composição da Comissão Eleitoral e uma votação para a mudança do sistema de registro e apuração de votos do sistema Sindicalizi para o e-democracia. Portanto, eles devem ser responsabilizados politicamente pelo atraso da eleição e por uma assembleia que durou cinco horas mas, sobretudo, por semear divisão e confusão entre os associados da Apufsc.

Primeiro, é preciso esclarecer que a Comissão Eleitoral estava funcionando perfeitamente bem, indicada em uma reunião do Conselho de Representantes na qual se julgou ser desnecessário votar seus nomes, uma vez que todos os dez nomes sugeridos foram referendados para compô-la, o que havia de errado? Nada, absolutamente nada!

Segundo, sobre o desejo da Chapa 1 de mudar o sistema de votação e apuração do Sindicalizi para o e-democracia, é preciso uma reflexão: o que se esconde por trás dessa solicitação? O Sindicalizi é um sistema utilizado pela Apufsc-Sindical, salvo engano, há mais de uma década. O Sindicalizi: solução completa de gestão para sindicatos, associações e federações (https://www.sindicalizi.com.br/) é usado por mais de uma centena de sindicatos, em vinte e um estados do Brasil, entre eles Adufpb, Adunb, Adufpr, (todas sessões sindicais ligadas à Andes); Sinasef, Sintec-UFU, Sintufsc, diversos sindicatos de servidores públicos; Apeoc, Sindipema-SE, Sind-Rede BH, sindicatos de professores estaduais; Sindifisco, Asseminas, Sinafresp etc. etc. etc.

O Sindicalizi é uma plataforma tecnológica de gestão desenvolvida pela empresa Moobi Tech, voltada especificamente para a automatização, centralização e comunicação de sindicatos e associações. Trata-se de um sistema auditável que existe há mais de 15 anos e sobre o qual não há nenhum registro de desconfiança, repito, nunca houve qualquer motivo para desconfiança entre os mais de cem usuários do sistema. Portanto, a razão pela qual os sequazes da Chapa 1 desejam migrar do Sindicalizi para e-democracia não pode ser a desconfiança em relação ao sistema. Mas qual será?

A votação pelo Sindicalizi é simples e rápida, pode ser feita pelo celular ou pelo computador e só exige do votante que entre na plataforma por um link recebido por e-mail ou celular, deposite seu voto e encerre o processo. Já o e-democraia cria uma etapa extra, à qual o eleitor precisa acessar recorrendo ao Sougov e usando a senha do serviço. Ou seja, uma etapa a mais no processo, uma dificuldade a mais. Além disso, é necessário que a plataforma esteja livre e sempre há um calendário, uma lista grande de serviços a ser realizada por ela, entra-se numa fila de espera que pode demorar até trinta dias. Sendo o processo ligeiramente mais difícil e mais complicado porque exige prazos mais exíguos. Resta a pergunta: por que os prosélitos da Chapa 1 defendem com tanto ardor a mudança da plataforma?

Uma hipótese: difundiu-se o mito de que a atual diretoria da Apufsc-sindical é mantida pelo voto dos aposentados. De modo que a Chapa 1 e seus acólitos pretendem limitar ou dificultar a participação dos aposentados na eleição, acreditando que assim aumentam suas chances de vencer e retomar a diretoria do sindicato. Mas basta olhar as quatro últimas eleições da Apufsc para constatar que a Chapa ganhadora venceu sempre entre os ativos e inativos. O princípio que os guia foi expresso na última eleição para a reitoria por um dos seus apoiadores ao defender o voto em urna: “Não queremos a participação de todos, queremos apenas a participação dos conscientes.” Para eles, não estar presente em uma assembleia significa não ser consciente. Mas será que um docente que está sempre na correria para dar conta de tantas demandas burocráticas, docência, orientação, cargos administrativos, ou o aposentado/a que está cansado de reuniões e de tarefas infindáveis deixa de ir a uma assembleia porque não é consciente? Ou por que não tem estômago para ver uma espetáculo grotesco que pode se arrastar por horas a fio no qual docentes trocam acusações no mais abjeto desrespeito? Fica evidente que a Chapa 1 Mobiliza Apufsc: base, democracia e luta não gosta e não respeita os aposentados.

Mas o voto dos aposentados não tem nada de inocente ou inconsciente, muito pelo contrário. O que é verdade é que a votação entre os aposentado é muito maior para aqueles que se colocam contra a Andes-sn, pelo simples fato de que os professores que estavam na universidade antes de 2009 sabem o quão nefastas eram aquelas gestões e não desejam, em hipótese alguma, que voltem a dirigir nosso sindicato.

Por fim, importante mencionar o resultado final da segunda etapa da assembleia que forçaram a categoria a responder: 1) 56,97% dos participantes votaram pela manutenção da mesma Comissão Eleitoral sugerida no reunião do conselho de representantes, portanto não viram problema algum na sua constituição; 2) 53,78% dos votantes entenderam que o Sindicalizi é de votação simplificada e, portanto, amplia o número de participantes.

Fizeram um escarcéu, obrigando a categoria a uma assembleia tão desgastante quanto desnecessária de cinco horas por uma falsa polêmica que alto e bom som a categoria rejeitou. Tudo o que se imaginou “base, democracia e luta” se desmanchou no ar em mero oportunismo!

Por isso, vote Chapa 2: por uma Apufsc de todos/as para todos/as.

*Adriano Duarte é professor de história do Brasil e história contemporânea (HST/CFH)

Artigo recebido às 16h20 do dia 22 de outubro de 2026 e publicado às 17h22 do mesmo dia