Pós-graduandos planejam greve e Marcha pela Ciência no dia 2 de outubro

Associação Nacional de Pós-Graduandos espera reunir em Brasília estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, cientistas e professores de vários estados do país

Em resposta ao corte de 8.378 bolsas da Capes em 2019 pelo governo federal, a classe científica planeja um dia de greve e marcha em Brasília em defesa da pesquisa e da ciência brasileiras.

No dia 2 de outubro, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) espera reunir estudantes de pós-graduação acadêmica (mestrado, doutorado e pós-doutorado) e entidades em uma greve geral. No mesmo dia, cientistas e professores farão uma caminhada a Brasília. A ideia da Marcha pela Ciência, diz a organização, é unir caravanas de vários Estados – a da capital paulista deve ser a maior.

A ANPG destaca as verbas ameaçadas para o orçamento de 2020 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que tem papel importante no custeio da pós-graduação, e das agências estaduais.

A justificativa do governo para os cortes na Capes é economizar cerca de R$ 15 milhões em 2019 e até R$ 544 milhões nos próximos quatro anos. E o Ministério da Educação quer rever critérios de avaliação de pesquisas.

Especialistas ouvidos pelo site Valor Investe dizem temer uma elitização da pós-graduação stricto sensu e uma “uberização” de cientistas. Também apontam o desperdício de recursos e os prejuízos ao Brasil na corrida por tecnologia de ponta.

O movimento apresenta as seguintes exigências:

  • Revogação imediata de todas as medidas de austeridade que atingem educação, ciência e tecnologia;
  • Repasse imediato dos R$ 330 milhões necessários para o cumprimento do orçamento de 2019 do CNPq e a garantia do pagamento das bolsas da agência;
  • Descontingenciamento de verbas das universidades federais e de instituições de ensino e pesquisa;
  • Recomposição do orçamento dos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, com ampliação para 2020, para cumprir as metas do Plano Nacional de Educação e do Plano Nacional de Pós-Graduação;
  • R$ 948 milhões para recompor o quadro de professores e funcionários e reajustar bolsas de estudos;
  • Aplicação de 10% do PIB para educação;
  • Destinação de 25% dos recursos do pré-sal para Ciência e Tecnologia;
  • Revogação imediata da Emenda Constitucional 95, que instituiu o teto de investimentos por 20 anos.

Leia na íntegra: Valor Investe

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