ANPG, UNE e UBES entram com mandado de segurança no STJ para reverter cortes na educação

Para a Associação Nacional dos Pós-Graduandos. “cortes vão ceifar o futuro de jovens pesquisadores e cientistas no Brasil”d+ entidades organizam paralisação nacional neste 30 de maio

Em entrevista exclusiva para o Campus Online, jornal da Universidade de Brasília, a vice-presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Manuelle Matias, declarou que a previsão para os estudos científicos no Brasil é devastadora.  Junto com a UNE e com a UBES,  a ANPG entrou com um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter os cortes nas universidades. As três entidades atuam na organização do Dia Nacional de Paralisação da Educação – 30 de maio, quinta-feira.

“Estamos em diálogo e buscando linhas de atuação conjunta com as entidades científicas, movimentos sociais e toda a sociedade civil para que possamos defender a ciência e a educação nesse contexto de desmonte e colapso da ciência e da educação no Brasil. Mas a gente aposta, sobretudo na mobilização e no protagonismo dos estudantes graduandos e pós-graduandos, professores, pesquisadores e toda a sociedade civil para reverter os cortes e o crime que o governo Bolsonaro tem imposto à ciência, à educação e às políticas públicas no Brasil”, afirma a vice-presidente.

Para Manuelle, caso o bloqueio de verbas se mantenha, os pesquisadores e cientistas brasileiros perderão a oportunidade de agregar valor às suas mercadorias, sofrerão com a paralisação de pesquisas e possibilidades de desenvolver novas tecnologias. Tal situação gerará diminuição abrupta da produção científica nacional e impacto em diversas áreas. “Esses cortes vão ceifar o futuro de jovens pesquisadores e cientistas no Brasil, vamos permanecer à margem, aquém das nossas possibilidades de desenvolvimento nacional – que são infinitas”.

Ainda de acordo com a vice-presidente, a maior parte das pesquisas científicas é feita nas universidades com investimento público, na sua maior parte, e que dados demonstram que a maior parte dos estudantes das universidades federais é proveniente de famílias que não atingem uma renda de um salário mínimo per capita.  “Infelizmente, se esses cortes permanecerem, a gente vai ter esvaziamento da universidade e da pós-graduação por falta de condições materiais que garantam a permanência desses jovens pesquisadores. Vai ser um cenário de caos instalado na ciência”.

Manuelle também falou sobre as recentes suspensões de bolsas anunciadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Somente na Universidade de Brasília. A previsão de cortes é de 123 bolsas de pós-graduação, segundo a universidade.

 

Leia a entrevista completa: Campus / ANPG