Laboratórios da UFSC produzem álcool em gel 70%

Apufsc contribuiu com a iniciativa com a doação de álcool para fabricação do produto

Os primeiros 250 litros de álcool gel 70% produzidos em laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para o esforço de combate ao coronavírus ficaram prontos na manhã desta terça-feira, 28 de abril: foram 100 litros no Laboratório de Farmacotécnica, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), e 150 litros no Laboratório de Ensino de Química Analítica, no Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM). Na semana anterior, o Laboratório de Sanitizantes da instituição preparou 1.000 litros de álcool glicerinado 70.

A professora Angela Machado de Campos, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, finalizou os primeiros testes de escalonamento da produção de álcool gel na quarta-feira passada, auxiliada por Simone Gonçalves Cardoso e Thiago Caon, colegas de departamento. Este álcool gel, explica Angela, é uma mistura de água, polímero, álcool 99,8% e uma glicerina umectante. A cada lote são produzidos três litros de gel, utilizando batedeira planetária ou um agitador mecânico – o polímero é dispersado na água e depois são misturados paulatinamente as outras substâncias. “É uma fabricação ainda em nível de laboratório. Quando chegar o álcool adquirido pela UFSC vamos utilizar o Laboratório de Sanitizantes, para a produção de lotes de 500 litros”, continua a professora, lembrando que a UFSC comprou e aguarda a chegada de matéria-prima. Ela comenta que, antes de terceirizar o fornecimento de insumos de limpeza (como sabonetes e detergente), a UFSC manufaturava neste laboratório artigos para consumo próprio – a estrutura, entretanto, permaneceu.

Angela ressalta a disposição das pessoas em colaborar. “Foi muita gente querendo participar”. Todos os materiais usados nesta primeira produção foram doados. O polímero foi doado pela empresa MC Química.  A Apufsc Sindical (Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina) doou álcool na concentração que vai permitir a continuidade da fabricação. “Eles conseguem comprar e receber com mais rapidez que a UFSC”, diz.

Ajuda de estudantes de pós

Uma força-tarefa foi organizada no Laboratório de Ensino de Química Analítica, que inclui professores do Departamento de Química e alunos do Programa de Pós-Graduação em Química. O professor Eduard Westphal explica que o trabalho é realizado sempre em pequenos grupos, em torno de cinco pessoas. “Temos cinco agitadores mecânicos que permite que cinco pessoas trabalhem simultaneamente, mantendo um bom distanciamento dentro do laboratório. Cada integrante consegue fazer bateladas de cinco litros por vez, e algo em torno de duas por tarde. Num dos equipamentos podemos produzir até 15 litros por vez. Assim, a produção diária gira em torno de 80 litros do gel”. Além de evitar aglomerações, a ideia dos grupos pequenos, completa Eduard, permite que mais pessoas possam contribuir e ninguém seja sobrecarregado.

Em três dias de trabalho, enquanto durou a matéria-prima, foram 150 litros de álcool gel. “No início, o trabalho foi lento até que os alunos realmente aprendessem a técnica. Depois, engrenou e chegamos à produção de 80 litro. Mas aí acabou o álcool e não chegou a nova remessa ainda”, conta o professor.

A fabricação no Laboratório de Química utiliza água destilada, polímero, álcool (que pode ser 99,8 ou 92,8, dependendo da doação), glicerina e peróxido de Hidrogênio (que auxilia na eliminação de esporos e assepsia) “Temos espessante (polímero) para a produção de mais 900 litros do álcool gel 70%. Nosso gargalo é o álcool (99,8 ou 92,8). Nós já temos a garantia de algumas doações, mas elas ainda não chegaram até nós. Talvez essa semana consigamos ter acesso a mais uns 300 litros do álcool”, acrescenta Eduard.

Além de Eduard, os professores envolvidos até o momento na produção são Francisco Fávaro de Assis, Josiel Barbosa Domingos, Luiz Augusto dos Santos Madureira, Bruno Silveira de Souza e Tatiane de Andrade Maranhão. Eles são acompanhados de seis estudantes de pós-graduação: Priscila Pazini Abatti, Larissa Sens, Marcos Maragno, Caio Vanoni, Gabrieli Bernardi e Vania Mareze. “Outros professores e alunos já se voluntariaram para ajudar nas próximas produções. Alguns alunos já estão correndo atrás de possíveis empresas para que possam colaborar com doação de material. Então, estamos confiantes que logo voltaremos ao trabalho”, ressalta o professor.

Doações

Superintendente de projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa, Maique Weber Biavatti ressalta que o álcool etílico (etanol) só é desinfetante na concentração 70%. “Para transformar o álcool em gel desinfentante, precisamos adicionar um polímero geleificante, para dar a consistência. A questão é que o polímero mais compatível com o álcool e mais utilizado para isso é o carbopol, que sumiu do mercado”.

Para usar outros polímeros, explica Maique, “que ainda estão disponíveis e conseguimos via doação, precisamos dispersá-lo em água para intumescer, e usar o álcool ‘puro’ para então atingir a concentração necessária, 70%”. O almoxarifado da UFSC dispunha apenas de álcool 70%, antes da doação da Apufsc: “Não temos o ‘puro’ em estoque. Estamos dependentes da compra do álcool ‘puro’ (etanol absoluto) para produzir gel”.

Caso o carbopol fosse importado da China, a previsão de chegada no Brasil seria de três meses. “A falta histórica de investimento em insumos e química fina nos leva a essa dependência externa para coisas até bem simples”, comenta Maique.

O álcool glicerinado a 70% e parte do álcool 70% disponíveis no almoxarifado serão encaminhados para a Secretaria de Defesa civil de Santa Catarina. “Eles recebem as doações e encaminham para a linha de frente de enfrentamento à covid-19 no Estado”, aponta Maique.

Fonte: Notícias UFSC

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