Com turmas reduzidas e uso de protetores faciais, Manaus completa um mês de volta às aulas

Só escolas particulares retomaram as aulas até agora; escolas estaduais da capital reabrem hoje

Primeira capital brasileira onde o sistema de saúde colapsou durante a pandemia de Covid-19, Manaus completou, na quinta-feira, 6, um mês desde a volta às aulas na rede particular. Não houve novos casos da doença confirmados entre os estudantes das escolas particulares, pelo menos até dia 31 de julho, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

Na rede pública, a retomada das aulas nas escolas da rede estadual em Manaus será hoje (10), mas não há data da volta às aulas na rede municipal nem previsão de retomada das aulas no interior ou na zona ribeirinha de Manaus.

Pioneiras na reabertura, as escolas particulares adotaram medidas de higienização e distanciamento, como aulas híbridas (presenciais em dias alternados com aulas online), redução de turmas, intervalos diferenciados para cada grupo de alunos com controle de interação, mensuração de temperatura e o uso de máscaras e protetores faciais.

De acordo com estimativa do Sindicato dos estabelecimentos Particulares de Ensino do Amazonas (Sinepe-AM), 95% das 200 escolas particulares de Manaus já retomaram as aulas presenciais, pelo menos no modelo híbrido, e estão adotando essas medidas.

Nos dias seguintes à retomada das aulas nas escolas particulares em Manaus, a média móvel de novos casos de Covid-19 entre crianças e adolescentes de 1 a 17 anos aumentou na capital, segundo monitoramento da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

Segundo o último boletim da FVS, na faixa etária de 13 a 18 anos, por exemplo, a média móvel de casos novos em 5 de julho, um dia antes da volta às aulas, era de 6. Pouco mais de uma semana depois, a média móvel saltou para 7,6 e, no final de julho, chegou ao índice de 8,3, mesmo nível registrado em maio, quando ocorreu o pico da pandemia do Amazonas.

Entre as crianças de 5 a 9 anos, a média móvel de novos casos, que antes da volta às aulas era de 3,7, passou para 4,0 em 11 de julho e registra uma tendência de alta desde o fim de julho, chegando ao pico de 4,6 em 2 de agosto. Já na faixa etária de 10 a 12 anos a média móvel de novos casos oscilou entre uma tendência de queda na primeira quinzena de julho e de alta na segunda quinzena, mas voltou a cair no início de agosto.

Em todo o Amazonas foram registrados, até segunda-feira, 3, 7.235 casos confirmados de Covid-19 e 14 óbitos na população entre 1 e 18 anos. Metade das mortes está na faixa etária de 13 a 18 anos. Em Manaus são 1.410 casos e nove mortes.

O anúncio do dia 10 de agosto para a volta das aulas na rede estadual provocou um movimento de oposição dos dois sindicatos de professores da rede pública, que tentam frear o reinício das atividades e cobram a realização de testes em massa e adequação das salas de aula.

Segundo a presidente do Sindicado dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues, muitas escolas nem têm janelas porque são planejadas para o ar-condicionado, devido ao clima quente da região, e só possuem basculantes, que não ventilam a sala. Além disso, há turmas com mais de 50 alunos que, mesmo divididas ao meio, não conseguirão respeitar o distanciamento de 1,5 metro em salas de aula de 48 metros quadrados, diz Rodrigues.

“Sem falar em problemas como escassez de recursos humanos, produtos de limpeza e até água, que já eram comuns antes da pandemia. Soma isso tudo ao transporte público lotado e à decisão de não testar os professores e temos um grande problema”.

Leia na íntegra: Folha de S. Paulo