Professora da UFSC explica quais são os protocolos corretos no momento da vacinação contra Covid-19

Felipa  Amadigi do Departamento de Enfermagem, dá dicas importantes para assegurar aplicação da vacina

A campanha nacional de vacinação contra o novo coronavírus começou no dia 18 de janeiro, desde então denúncias de irregularidades envolvendo a destinação e aplicação de vacinas estão circulando pelo país. Já foram registrados ao menos quatro casos de falsa aplicação de vacina contra a Covid-19 em três estados diferentes: Goiás, Alagoas e Rio de Janeiro. 

No mês passado, um vídeo onde uma técnica de enfermagem simula a vacinação de uma idosa de 97 anos intensificou a discussão sobre o tema. Na filmagem, a profissional insere o imunizante no braço da paciente, mas não injeta o líquido. Após o ocorrido, a prefeitura de Maceió afastou a técnica de enfermagem de suas funções e abriu um inquérito para investigar a conduta. Além disso, a administração do município determinou que os profissionais de saúde deverão mostrar a seringa cheia antes e vazia após a aplicação.

O Conselho Federal de Enfermagem informou que apura denúncias desse tipo nas cidades de Goiânia, Maceió, Niterói e Petrópolis, onde enfermeiros não teriam finalizado a aplicação da vacina.  O conselho ressaltou que estes profissionais não representam a categoria, que está lutando, há meses, na linha de frente no combate contra o novo coronavírus.

A professora do Departamento de Enfermagem da federal de Santa Catarina, Felipa  Amadigi, também reforça que essas situações representam ações isoladas. “Ela não é a regra, porque o que aconteceu em Maceió, por exemplo, poderia ter acontecido em qualquer lugar do país. Pode ter acontecido em qualquer outro lugar do mundo, e ainda há que se comprovar que aquilo de fato aconteceu”, diz. Ela reforça que o Programa Nacional de Imunização é referência internacional, já que oferece a toda a população, via Sistema Único de Saúde (SUS), uma série de imunizantes todos os anos. “Somos um país com uma expertise muito grande em campanhas de vacinação em massa. Agora a dificuldade que estamos encontrando está relacionada não à operacionalização, mas principalmente à falta de vacina e a falta de definição de critérios em relação aos grupos prioritários”. 

Segundo Amadigi, para atuar em salas de vacinação, os profissionais de saúde passam por treinamentos específicos e devem seguir uma série de regras e recomendações, o que torna todo o procedimento de vacinação bastante rigoroso. Entre os protocolos sanitários, destacam-se: o controle adequado da temperatura do ambiente e da vacina, e também a fiscalização de quantas horas o imunizante está aberto, contando que, depois de um certo tempo em exposição, as vacinas tendem a perder a eficácia. Além disso, os profissionais devem realizar antes da vacinação algumas perguntas específicas para conhecer o histórico de saúde e em seguida devem informar quais são os efeitos colaterais esperados do imunizante aos pacientes.  

O Manual de Normas e Procedimentos de Vacinação do Ministério da Saúde recomenda que as seringas utilizadas na vacinação sejam preparadas no momento da aplicação da dose.  Para a docente, este deve ser um protocolo padrão a ser seguido por todos os vacinadores. “A orientação é sim que se faça o preparo da vacina no momento em que se vai administrar. Este procedimento de aspirar e mostrar para o usuário tem que ser ágil inclusive para não afetar a temperatura da vacina.” 

Mesmo destacando que os profissionais que atuam na vacinação são habilitados, Amadigi dá dicas para o momento. Segundo ela, é importante assegurar que realmente são profissionais do SUS, devidamente identificados, que irão aplicar a dose nos locais de vacinação. “Se for em residência, esses profissionais devem ir com carro identificado de um órgão oficial.” É importante pegar o comprovante da vacinação, onde deve estar escrito a data, o lote, o fabricante e quem administrou a dose.

“Eu não tenho a menor dúvida em dizer que a vacina do SUS é uma vacina segura, porque ela passa por um rigor bastante grande desde sua aprovação até o momento da administração, e após a administração no acompanhamento dos eventos adversos”, conclui.

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