“Precisamos resistir ao desmonte orquestrado”, afirma Ildeu Moreira

Ildeu de Castro Moreira encerra seu segundo mandato como presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, destaca o Jornal da Ciência

Discurso proferido na solenidade de abertura da 73ª Reunião Anual da SBPC, no último domingo, 18 de julho

Estamos vivendo um momento muito difícil em nosso país. Reitero nosso pesar a todas as pessoas que perderam seus entes queridos para a Covid-19, e àquelas que sofrem suas consequências, e nossa solidariedade e agradecimento às que estão na linha de frente dessa batalha. A situação no País ainda é crítica, apesar de um relaxamento de cuidados e medidas sanitárias, que são ainda necessárias, como o distanciamento social. O quadro da pandemia está grave e é fundamental que a gente tenha consciência disso. Planejamento nacional adequado, medidas sanitárias para enfrentar a disseminação, testagem, vacinação acelerada e para todos, fortalecimento do SUS, proteção aos setores mais pobres e fragilizados, iniciativas para a produção de vacinas nacionais são, entre outras, metas científicas e de saúde pública, importantes que temos defendido e que continuam importantes.

A SBPC tem mais de sete décadas e foi criada como um movimento para defender a ciência, os cientistas e políticas públicas para o setor. E não só a ciência no sentido estrito, mas a educação, o meio ambiente, os direitos humanos, a democracia, tudo o que compõe políticas públicas fundamentais para a melhoria de vida dos brasileiros. A SBPC tem hoje 167 sociedades afiliadas de todas as áreas do conhecimento e isso para nós é muito importante e significativo. Somos uma entidade apartidária, mas não apolítica. Ela atua, interfere e age politicamente todo tempo.

Nós já tivemos reuniões anuais que foram marcos importantes. Essa 73ª edição, que está sendo realizada virtualmente, com certeza trará grandes debates sobre os mais variados temas, de resultados importantes de pesquisas a políticas públicas e questões sociais, de ações que promovem o envolvimento das pessoas com a ciência até as apresentações de trabalhos dos jovens da iniciação científica. Em todas as mesas-redondas, conferências e painéis, contaremos com pesquisadores do Brasil inteiro e de todas as áreas, que vão aprofundar as análises sobre a situação grave que estamos vivendo. Eles vão mostrar que a ciência, a educação e a saúde podem colaborar para o enfrentamento da grave crise sanitária, econômica e social. Espero que a gente consiga gerar um movimento, como já fizemos em outras épocas da vida brasileira, de se contrapor ao desmonte orquestrado que está acontecendo no Brasil, usando as luzes da ciência, como citou o Sérgio Mascarenhas, aliadas à solidariedade e ao humanismo, contra os negacionismos diversos. Eles vão desde o negacionismo científico e sanitário, até o terraplanismo econômico, e todos são lesivos ao País.

Leia na íntegra: Jornal da Ciência

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