Em entrevista ao Globo, especialistas em educação contestam eficácia do estudo em casa
James Heckman, professor da Universidade de Chicago e um dos maiores especialistas em políticas de primeira infância, estava no Rio de Janeiro quando, em outubro de 2000, foi anunciado vencedor do Nobel de Economia. Quem o ajudou a atender às demandas da imprensa na época foi o economista Aloisio Araújo, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV), atuando até como tradutor em entrevistas. Heckman visita o país com frequência e criou vínculos com vários pesquisadores brasileiros. Na semana passada esteve mais uma vez no Rio, participando da Conferência Internacional sobre Teoria Econômica Pública. Ao seu lado, de novo, estava Araújo, também pesquisador da primeira infância.
Em sua apresentação, Heckman mostrou resultados de um programa de visitas domiciliares numa área rural da China. Seus estudos vêm demonstrando impactos positivos desse tipo de intervenção, cujo foco é o apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, ensinando-as como interagir com seus filhos de forma a desenvolver desde cedo habilidades e competências fundamentais para o resto da vida. Estudos apresentados durante a conferência reforçam o argumento de que essas intervenções têm ótimo custo-benefício e forte potencial de equidade, por reduzir significativamente a distância entre crianças mais pobres e mais ricas ao longo da vida, especialmente em indicadores que vão além da sala de aula, como empregabilidade, renda, criminalidade ou gravidez precoce.
No evento, Araújo também apresentou um estudo, realizado em parceria com Bruno T. Ogava e André Portela Souza, mostrando impactos positivos na aprendizagem das políticas de expansão da creche e da pré-escola no Brasil.
“Minhas pesquisas não tratam diretamente do homeschooling. O que o conjunto de trabalhos que venho fazendo demonstra, e muitos outros autores também mostram, é a importância das relações entre pais e filhos em casa. Mas reduzir isso ao homeschooling seria ir longe demais. O caminho mais promissor é o da interação dos pais e das mães com a escola. Professores, obviamente, desempenham um papel muito importante, e os pais podem apoiar muito esse trabalho em casa”, afirmou Heckman.
Leia na íntegra: O Globo
