Mulheres negras triplicam presença no ensino superior, mas seguem longe das profissões de maior prestígio e renda

Elas são 40% das formandas em Enfermagem e 11,2% no curso de Medicina, destaca a Gênero e Número

Entre 2010 e 2022, o número de mulheres negras com ensino superior completo quase triplicou, passando de 1,9 milhão para 5,7 milhões. Contudo, os marcadores de gênero e raça continuam a definir quais grupos demográficos têm mais acesso às carreiras de maior prestígio social e remuneração, especialmente as “profissões imperiais”: Medicina, Direito e Engenharia.

Dados dessas duas edições do Censo da Educação Superior, sendo a de 2022 a mais recente, apontam que a ocupação das mulheres negras teve avanço numérico, mas não alterou a composição racial de alguns cursos do ensino superior. Em Direito, esse grupo passa de 8% para 15%; em Medicina, de 7% para 11%; e, em Engenharia Civil, de 4% para 9%. No comparativo com homens e mulheres brancos, contudo, os percentuais indicam que o acesso de mulheres negras encontra um teto.

Os dados estão presentes no estudo “Da Marcha ao Bem Viver: Uma década de avanços, desafios e disputas pelos Direitos das Mulheres Negras no Brasil” realizado pela Gênero e Número, Oxfam Brasil e Observatório da Branquitude, em parceria com a Marcha das Mulheres Negras, com o objetivo de mostrar o que mudou na vida dessas mulheres entre a primeira edição da marcha, em 2015, e a segunda, em 2025.

Os dados de cursos ligados a cuidado e educação revelam outra dinâmica em relação às profissões. Mulheres negras passaram de 32% para 42% do corpo discente na Formação de Professores; de 29% para 40% em Enfermagem e de 25% para 31% em Letras.

Leia na íntegra: Gênero e Número