O Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (CUn/UFSC) se reuniu nesta terça-feira, dia 17, por autoconvocação, com pauta inicial de dois pontos: melhoria no calendário eleitoral (no CUn e na consulta informal para a Reitoria) e debate sobre voto remoto ou presencial.
A maioria votou por recusar a pauta e, portanto, esses pontos não foram apreciados. O efeito resultante é que temos um calendário extremamente exíguo para que os eleitores dos cinco campi conheçam as chapas, suas propostas, e para a realização de debates entre as candidaturas.
Além disso, e talvez o mais importante, recusaram-se a debater o problema da exclusão de eleitores com direito ao voto, devido à votação presencial.
Obviamente, a recusa em discutir demonstra, muito provavelmente, cálculos eleitorais e alinhamentos às candidaturas, especialmente à do atual reitor, com apoio, infelizmente, de lideranças de entidades estudantis e do sindicato dos técnicos.
O episódio apequena nosso Conselho Superior. Ao renunciar discutir, abdicou de seu papel institucional de analisar, aconselhar ou apontar caminhos aos grandes desafios. Lavar as mãos significa legitimar a exclusão de eleitores e a manutenção de um calendário que inviabiliza o debate democrático.
No momento em que o Congresso Nacional aprovou o fim da lista tríplice para reitor e que cada instituição passe a definir internamente o processo de escolha, a UFSC e seu Conselho Superior deram um péssimo exemplo.
Os interesses eleitorais se sobrepuseram a princípios e valores democráticos. Quem perde com isso é a democracia, a instituição, o exercício da autonomia universitária e o processo de escolha de dirigentes.
O objetivo da Diretoria e do nosso Conselho de Representantes foi levar esses dois temas — calendário e forma de votação — à comunidade universitária representada no CUn. Cumprimos nossa obrigação ao defender princípios e continuaremos a defendê-los.
Hoje foi mais um dia triste na história política da UFSC.
