UFSC Araranguá forma primeiros médicos indígenas e quilombolas

Eles foram diplomados junto a outros 27 novos profissionais

O curso de Medicina do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Araranguá formou os primeiros estudantes indígenas e quilombolas, oriundos das políticas de ações afirmativas. Quatro profissionais do povo Kaingang e um do povo Macuxi, além dos primeiros médicos quilombolas, da Comunidade Quilombola Invernada dos Negros, de Campos Novos, receberam o diploma na última sexta-feira, dia 3.

Vagner de Souza e Isadora Carolune Bitencourt são do Quilombo Invernada dos Negros, em Campos Novos. Claudemir Moreira Vaz, Guilherme Prezotto, Jessica Flavia de Oliveira e Valter dos Santos são do povo Kaingang. Já Marcos Alexandre Malheiros Sales é do povo Macuxi. Eles foram diplomados junto a outros 27 novos profissionais.

“Essa conquista é resultado de políticas institucionais que ampliam não apenas o acesso, mas também as condições de permanência estudantil, reconhecendo que a democratização do ensino superior exige oportunidades reais para que todos possam concluir sua trajetória acadêmica”, assinalou a Diretora do Centro de Ciências, Tecnologias e Saúde, Melissa Negro Dellacqua.

A professora lembrou que a UFSC aprovou, neste ano, a Política de Acesso e Permanência dos Estudantes Indígenas e Quilombolas, construída com participação da comunidade universitária. “Ver esses novos médicos e médicas concluindo sua formação demonstra, de forma concreta, o impacto dessas políticas e reforça o papel da universidade pública na promoção da equidade, da inclusão e da transformação social”, pontuou a diretora.

O evento também contou com a participação de Idjarrury Sompre,  que é diretor do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena. Ele é indígena kaingang e médico e cumprimentou os novos colegas pela conquista.

“Para alguns de vocês, meus irmãos e parentes indígenas, essa jornada carregou um peso histórico adicional. O preço de formar um médico indígena não se mede apenas em custos financeiros ou anos de estudo. Ele se mede na superação de séculos de silenciamento, na resistência de um povo que teve sua voz e sua cultura desvalorizadas, e seu direito à saúde muitas vezes negado”, lembrou.

O diretor ainda lembrou que os novos profissionais  carregam em seus jalecos não apenas o conhecimento da medicina ocidental, mas também a sabedoria milenar de seus povos. “A presença de indígenas formados em medicina, em enfermagem, em diversas áreas da saúde, é a concretização de políticas pensadas e aprimoradas por nós e nossos parceiros”, comentou, lembrando que não é mais possível pensar um Brasil “sem a presença indígena em espaços de decisão e construção”.

A professora Melissa também lembrou, no discurso, que a UFSC Araranguá já formou 1.371 egressos na graduação, entre eles 100 médicos, além de 489 mestres e 7 profissionais egressos da Residência Multiprofissional em Saúde da Família. “Esses avanços evidenciam o compromisso da nossa instituição com a formação de excelência e com o desenvolvimento da região”.

Fonte: Notícias da UFSC