Seis em cada dez professores dizem que pressão política limita autonomia para lecionar

Levantamento da FGV e da Cnte mostra como a crescente politização do cotidiano escolar contribui para criar um ambiente de constante vigilância e insegurança profissional, segundo a CartaCapital

As escolas públicas têm se tornado cada vez mais palco de disputas políticas que fragmentam a sociedade brasileira, indica um levantamento da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A crescente politização de temas como gênero, sexualidade e religião, por exemplo, contribuiu para um ambiente de constante vigilância e insegurança profissional.

Os dados mostram que 61,7% dos docentes afirmam que a pressão política limita diretamente sua autonomia para lecionar, enquanto 75,6% temem consequências profissionais caso suas decisões contrariem interesses políticos. Os dados são da pesquisa Politização no Cotidiano das Escolas: um olhar para a prática docente, realizada em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (Cnte) e divulgado nesta terça-feira, dia 22.

A sensação predominante é que a politização de conteúdos curriculares resultou em uma atmosfera constante de insegurança e vigilância: 71,7% dos docentes sentem-se muito mais expostos a críticas políticas do que em períodos anteriores, e 66,8% relatam que até mesmo atitudes rotineiras em sala de aula acabam distorcidas e interpretadas como manifestação política. Para capturar esse cenário, a pesquisa entrevistou pela internet 2.235 professores do ensino fundamental (anos finais) e do ensino médio em todas as regiões do país, entre junho e agosto deste ano.

Leia na íntegra: CartaCapital