Nas redes, entidades educacionais, sindicatos e parlamentares defendem o orçamento da educação

Manifestantes somaram argumentos contra os cortes previstos no MEC, que ameaçam o funcionamento das universidades em 2021

Nesta quinta-feira (17), mais de 70 entidades e 16 frentes parlamentares participaram do “Ato virtual em defesa de um orçamento justo para a Educação”. Deputados, senadores, líderes de frentes parlamentares, reitores de instituições federais de ensino e representantes de diversas entidades educacionais e sindicais participaram do debate nacional que durou mais de cinco horas e reuniu cerca de três mil pessoas entre os debatedores e o público que acompanhou pelas nas redes sociais.

O ato teve início com a leitura do Manifesto em Defesa da Educação como Direito Público. O documento elaborado pelas entidades aponta preocupação com “todas as iniciativas que visem desestabilizar o funcionamento das instituições de ensino, sejam elas de cunho orçamentário, ou em formato de ofensas à legislação.” Até o momento, o baixo-assinado com cerca de quatro mil assinaturas.

O manifesto cita a perspectiva de corte de cerca de R$ 2 bilhões no orçamento do ano que vem para as despesas discricionárias das instituições federais de ensino, a crise financeira vivida pela CAPES e CNPq e os ataques à autonomia universitária com a nomeação pelo presidente Jair Bolsonaro de interventores que não foram eleitos pelas comunidades universitárias para suas reitorias.

Ao longo do evento, vários parlamentares de diferentes partidos fizeram falas críticas à proposta de orçamento do governo federal. Entre eles, os deputados federais Zé Silva (Solidariedade), Sâmia Bonfim (PSOL), Tabata Amaral (PDT), Maria do Rosário (PT), Pedro Cunha Lima (PSDB), Prof. Dorinha (DEM), Prof, Israel Batista (PV) e Bacelar (Podemos).

A deputada federal (PT) e representante da Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais Margarida Salomão destacou o “caráter suprapartidário do movimento” e que “esse clima de construção foi extremamente exitoso no Congresso Nacional e levou à conquista do Fundeb”.

“Nós estamos aqui para dizer junto com todos que é indispensável lutar e assegurar um orçamento justo para a educação. E no caso das universidades há outra luta iminente e inadiável que é pela regulamentação do artigo 207 da Constituição Federal, para assegurar a autonomia universitária que vem sendo afrontada seguidamente”, afirmou a deputada.

Na última quarta-feira (16), Bolsonaro nomeou como reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o professor Carlos André Bulhões Mendes, terceiro colocado nas eleições da instituição. O presidente da ADUFRGS-Sindical participou do ato virtual e classificou a nomeação como uma “agressão que procura acirrar os ânimos, manter instabilidade e que está dentro do grande quadro de política que o governo tem feito contra a educação”.

Para Edward Brasil, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a manifestação virtual é uma “chama de esperança muito forte”. Edward declarou que “todas as vezes que o parlamento, a sociedade e os educadores se uniram nós tivemos resultados extremamente interessantes para a educação como um todo”.

O presidente da Apufsc-Sindical, Bebeto Marques, falou em nome do Observatório do Conhecimento e sustentou que o problema não está na falta de dinheiro público mas nos erros em seu uso e no estabelecimento de prioridades. “A ideia de financiamento público é um mecanismo que pode ser usado para consolidar a democracia, a inclusão, a solidariedade, a justiça ou pode também sedimentar o arbítrio e o privilégio , disse.

Bebeto ressaltou o contraste entre as riquezas e potencialidades do país e aquilo que a proposta orçamentária do próximo ano representa. “O orçamento de 2021 deveria expressar uma ousadia necessária para a reconstrução econômica, salvaguardar vidas e empregos, deveria projetar o futuro corrigindo os erros do passado como as desigualdades e os atrasos educacionais. Mas o futuro que essa proposta traz é de um país excludente, desumano, subalterno e fraco”. O presidente da Apufsc acrescentou ainda que “o Brasil só mudou para a democracia com movimentos vindos da sociedade, nessa noite demos um passo importante.”

Clique aqui e confira a gravação do evento na íntegra.

Imprensa Apufsc

Compartilhar