Histórias em quadrinhos apresentam protagonismo negro e feminino na ciência brasileira

Produzidas por pesquisador da Escola de Comunicações e Artes da USP, as HQs buscam incentivar o interesse de estudantes pela ciência e discutir questões de raça e gênero

Famosas por contarem histórias de super-heróis, as HQs possuem também um longo histórico de abordagem de temas sociais e raciais em suas narrativas. Seguindo essa linha, o pesquisador e pedagogo Carlos Antônio Teixeira , da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, acaba de lançar duas histórias em quadrinhos com foco no protagonismo negro e feminino na área científica. Fruto de sua pesquisa de pós-doutorado, os projetos foram desenvolvidos sob supervisão do professor Waldomiro Vergueiro, do Departamento de Informação e Cultura (CBD), também da ECA, e tiveram apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e do Consulado dos Estados Unidos.

“Se há um desconhecimento sobre quem são os cientistas brasileiros e quanto ao (des)conhecimento de afrodescendentes no campo científico brasileiro?” foi a questão que impulsionou Carlos Teixeira a desenvolver a pesquisa. Com o objetivo de promover o interesse de estudantes pela ciência e ressaltar a importância da contribuição de cientistas negros para o setor, as publicações estimulam a discussão de questões de raça e gênero no cenário científico nacional e norte-americano.

A HQ Meninas e Mulheres na Ciência propõe como personagem principal uma garota negra que sonha em ser cientista, abordando no decorrer de suas páginas aspectos sociais e culturais da sociedade brasileira. A missão da personagem é discutir com seus colegas a presença feminina na ciência nacional, citando nomes como o de Enedina Alves Marques, primeira mulher negra a se formar engenheira civil no País.

Já em Entrevistas Além do Tempo os protagonistas são os estudantes do Programa Imprensa Jovem, do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Através dos quadrinhos, os jovens encontram figuras históricas como Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, as três matemáticas negras da Nasa que contribuíram para o sucesso das primeiras viagens espaciais.

Representando a ciência brasileira, a trajetória é ilustrada por meio de figuras do campo astrofísico, como a pesquisadora Marcelle Soares-Santos, do Fermi National Accelerator Laboratory, sediado nos Estados Unidos. No total, cinco cientistas − quatro mulheres e um homem − têm seus trabalhos e histórias de vida abordados.

Clique nos links para baixar gratuitamente as HQs:
Entrevistas Além do Tempo
Meninas e Mulheres na Ciência

Fonte: Jornal da USP

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