É preciso articular União, Estados e cidades contra desigualdades na Educação

Política pública específica para populações mais vulneráveis tem de ser prioridade na pauta do Brasil, segundo análise de Gabriel Corrêa* ao Estadão

Gabriel Corrêa* é líder da área de políticas educacionais do Todos pela Educação

Os dados são mais uma evidência de como a pandemia trouxe impactos bastante graves para a Educação. A alta expressiva no número de crianças de 6 e 7 anos que não sabem ler e escrever reforça o quanto a Educação precisa ser, de fato, prioritária na pauta política do País, para que possamos nos próximos meses e anos mitigar esses efeitos. O fechamento prolongado das escolas, somado às estratégias improvisadas de ensino remoto e o agravamento da pobreza, afetou profundamente o aprendizado de crianças e jovens. E sem políticas públicas específicas para as populações mais vulneráveis, o impacto é maior nos alunos pretos e pardos e naqueles mais pobres, o que é gravíssimo. Precisamos agir com urgência para reverter esse cenário.

Reabrir escolas e garantir a presença de todos os alunos é essencial, mas não é suficiente. É um desafio imenso, mas inicial. Neste momento de volta às aulas é fundamental ter estratégias de recomposição dessas aprendizagens que não aconteceram. Se ignorarmos isso, iremos condenar toda a trajetória escolar de uma geração, e, especialmente, dos mais vulneráveis. Mas não precisa e não pode ser assim.

Sobre os desafios do poder público, é importante lembrar que, de cada 10 crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, oito estão em escolas municipais. Isso é um indicativo da responsabilidade que possuem prefeitos e secretarias municipais de Educação. Mas não podemos achar que a responsabilidade está só nas prefeituras. Experiências de sucesso no Brasil mostram o potencial do regime de colaboração, em que governos estaduais apoiam técnica e financeiramente as prefeituras nas suas ações educacionais.

Leia na íntegra: Estadão

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