Carro é o meio de locomoção mais utilizado pelos docentes da UFSC

Pesquisa do Dpae reúne informações sobre o deslocamento da comunidade universitária em todos os campi da UFSC

Com tempo médio de deslocamento entre 10 e 30 minutos, 69% dos docentes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) utilizam o carro como meio de locomoção. Fazer o trajeto até a universidade a pé (14%) ocupa o segundo lugar no ranking de preferência dos professores. Em seguida, estão o transporte público (7%) e a bicicleta (6%). O relatório com os dados de deslocamento da comunidade universitária foi divulgado pelo Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia (Depae) e reúne informações sobre os cinco campi da UFSC. 

Os docentes e os técnicos-administrativos (TAes) são os únicos dois grupos em que o carro aparece como meio de locomoção mais utilizado. Entre os alunos da graduação, pós, ensino fundamental e profissionais terceirizados, é o transporte público que ocupa o primeiro lugar.

A pesquisa, realizada em 2022, obteve 4.065 respostas válidas, que mapearam os meios, distância, horário, frequência e tempo de deslocamento da comunidade universitária. Dos participantes, 564 eram docentes, cerca de 19% do quadro de contratados da categoria.

Para o professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo, Francisco Antônio Carneiro Ferreira, a amostra é representativa de um universo de 51 mil membros (sendo cerca de 45 mil estudantes em todos os campi da UFSC). Adepto ao transporte público e à bicicleta, Ferreira desapegou do carro há 13 anos, ao ir para o doutorado na Sorbonne, França. Quando retornou, em 2017, percebeu que Florianópolis não estava preparada para a adoção da mobilidade ativa, notadamente da bicicleta. A mobilidade sustentável tem um papel importante para alcançar progressivamente a neutralidade carbônica até 2030-2050, em função do aquecimento global, tema inexistente ainda na política pública de mobilidade da cidade, segundo o professor.

“Por isso estamos com uma campanha Por Ciclovias Seguras e em Rede. Queremos implantar ciclovias e não ciclofaixas nas vias principais dos bairros vizinhos à UFSC. Por exemplo: é preciso criar já ciclovias seguras na Rua Lauro Linhares, a partir de um binário na Trindade. O bairro possui a maior porcentagem de membros da UFSC-Trindade”, opina o professor, que também coordena o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Ecologia e Desenho Urbano (Gipedu). 

Morador do Norte da ilha, o docente vai diariamente à UFSC com o “amarelinho”, transporte público da linha executiva do município. Para Ferreira, o automóvel está inviabilizando a locomoção e há vários motivos pelos quais ele não deve ser o meio preferencial de deslocamento de uma cidade. O professor defende ainda políticas públicas de mobilidade que priorizem o pedestre, o ciclista e o passageiro do transporte coletivo. “É preciso acelerar e intensificar as mudanças, com destaque para o transporte marítimo das baias norte e sul, e a implantação de novas infraestruturas cicloviárias e pedonais com base na reconversão das infraestruturas viárias velhas, mordernizando-as e capacitando-as às novas funções”, destaca.

Por esta razão, ele aponta para a necessidade da elaboração e implementação com agilidade do Plano de Mobilidade Participativo Municipal integrado ao Regional (região metropolitana), comprometendo todos os setores da sociedade e do Estado – priorizando os modos ativos e coletivos de deslocamento para a redução da dependência do automóvel.

Sobre a preferência dos docentes pelo carro, o professor acredita que há falta de oferta de transporte coletivo e de ciclovias seguras, mas também há uma cultura do uso do automóvel, que “coloca as pessoas numa zona de conforto exagerado”. O docente, que pega o transporte público às 5h50 e retorna para casa por volta das 20h, também pontua que o “amarelinho” é subutilizado. Ele conta que para vir até à UFSC precisa trocar de ônibus no Centro e que há apenas uma linha do executivo que atende a universidade.

Com poucos horários, essa dinâmica pode se tornar desestimulante para muitas pessoas. “O amarelinho poderia substituir viagens de carro pelo ônibus, porque ele tem mais conforto e para em qualquer lugar”, acrescenta. Além disso, para ele o transporte convencional funciona em condições precárias (falta de coordenação de horários, ausência de climatização interna, veículos sucateados, etc). Francisco ainda destaca que é fundamental que as ciclovias conectem-se aos terminais de ônibus.

Bicicletaço pelo Dia Mundial do Meio Ambiente

Na próxima segunda-feira, dia 5, o projeto Campus-Parque-Cidade do Gipedu realiza um bicicletaço pelo Dia Mundial do Meio Ambiente. A ação está marcada para às 15h, com saída em frente à Reitoria da UFSC. Desde 2022, o grupo realiza uma campanha por ciclovias seguras e em rede. Quatro abaixo-assinados pedindo a criação de ciclovias nos bairros Trindade, Córrego Grande, Pantanal e Carvoeira já foram feitos. 

As propostas são baseadas em estudo realizado pelo Gipedu, sob coordenação do professor Francisco Antonio Carneiro Ferreira. O projeto, que tem apoio da Apufsc-Sindical, visa melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida no entorno da universidade.


Imprensa Apufsc