Entidades escrevem carta ao MEC em defesa da formação inicial de docentes no Brasil

SBPC, ABC, Consed, Consec, CNTE, FPME, Atricon e Todos Pela Educação pedem celeridade ao Ministério da Educação no avanço de medidas estruturais na formação docente

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Conselho Municipal de Secretários de Educação das Capitais (Consec), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME), a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), o Todos Pela Educação, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) assinaram uma carta conjunta dirigida ao Ministério da Educação (MEC) em defesa de mudanças estruturais na formação inicial de professores no Brasil, protocolada no dia 7 de novembro.

O documento expressa a urgência em relação à necessidade de avanços nas políticas de melhoria da qualidade da formação inicial de professores. A pauta é determinante para a melhoria da qualidade da Educação Básica brasileira e afeta diretamente as redes públicas e particulares de ensino, responsáveis pela contratação e gestão de mais de 2,4 milhões de docentes em todo o país.

Considerando as atribuições do governo federal, os signatários da carta entendem que o MEC tem o dever de promover mudanças estruturais para a melhoria da formação inicial docente. O texto ainda aponta que, ao permitir a oferta de cursos inadequados, o país, na prática, promove a desvalorização da profissão docente.

Veja abaixo a carta na íntegra:

Carta ao MEC em defesa de mudanças estruturais na formação inicial de professores no Brasil

Brasília, 07 de novembro de 2023

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, Camilo Santana

Os signatários desta carta dirigem-se respeitosamente a Vossa Excelência, com o intuito de expressar nossa enorme preocupação e solicitar avanços urgentes nas políticas de melhoria da qualidade da formação inicial de professores no Brasil.

A formação inicial de professores é determinante para a melhoria da qualidade da Educação Básica brasileira e afeta diretamente as redes públicas e particulares de ensino, responsáveis pela contratação e gestão de mais de 2,4 milhões de docentes em todo o país.

Considerando as atribuições do Governo Federal, é nosso entendimento que o Ministério da Educação tem o dever de promover mudanças estruturais para a melhoria da formação inicial docente. Ao permitir a oferta de cursos inadequados à formação para o início do exercício da docência, o País promove, no sentido contrário que deveríamos tomar, a desvalorização da profissão docente, a mais importante e uma das mais complexas.

Entre as principais preocupações, destacamos:

1- O aumento significativo do número de concluintes em cursos a distância (EaD): em 2022, de cada 10 alunos que concluíram os cursos de formação inicial docente no Brasil, cerca de 6 (65%) estavam na modalidade EaD. Em 2010, eram cerca de 3 (35%). Esse fenômeno de expansão dos cursos a distância é muito mais intenso na formação de professores do que nos demais cursos do Ensino Superior do Brasil, nos quais 31% dos concluintes cursaram na modalidade EaD (versus 65% na formação inicial docente).

Ainda que os desafios da formação inicial certamente não se restrinjam apenas à questão do EaD e que o uso das tecnologias deva ser incentivado, uma sólida formação inicial exige intensa articulação teoria e prática, vivência em escolas de Educação Básica desde o início do curso e o desenvolvimento de habilidades relacionais que só pode ser assegurado de forma presencial. A formação a distância não pode ser a principal estratégia do país para a formação de futuros professores.

2- A baixa qualidade geral dos cursos de formação inicial de professores, independente da modalidade, fato esse recentemente evidenciado pelos resultados do Enade 2021, que demonstrou que dos 17 cursos de formação de professores avaliados, em todos eles a média nacional na nota geral ficou abaixo de 50, numa escala de 0 a 100.

3- As altas taxas de evasão de alunos de pedagogia e licenciatura, em particular nas áreas de exatas (física, matemática, química), onde os índices de desistência chegam a 70%, percentual muito superior à média geral do ensino superior.

Nesse sentido, consideramos positiva a instauração pelo Ministério da Educação de um Grupo de Trabalho para tratar desta temática e a divulgação do Sumário Executivo das Propostas do GT de Formação Inicial de Professores, no qual constam importantes caminhos para melhorar a qualidade dos cursos de licenciaturas e pedagogia. Registramos nossas expectativas de que essa iniciativa resulte na efetivação de medidas estruturais e céleres.

Agradecemos, desde já, pela atenção e acolhimento de nossa manifestação.

Cordialmente,

Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed)
Conselho Municipal de Secretários de Educação das Capitais (Consec)
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
Frente Parlamentar Mista da Educação (FPME)
Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon)
Todos Pela Educação
Academia Brasileira de Ciências (ABC)
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Leia na íntegra: Jornal da Ciência