“Voluntariado precisa ser um trabalho espontâneo, mas com responsabilidade”

Fundada em 2001, a Associação Amigos do HU (AAHU) é uma entidade de caráter filantrópico e sem fins lucrativos. Preservar o Hospital Universitário da UFSC oferecendo apoio social e espiritual aos pacientes e ajudando na manutenção das instalações físicas é sua missão. As origens da associação estão no ano de 1984, quando por iniciativa da Paróquia Santíssima Trindade surgiu no HU um grupo de voluntárias formado por senhoras da comunidade. A líder era Cora Coelho Duarte Silva, uma das fundadoras da AAHU. No final de julho deste ano, Dona Cora faleceu. Mas seu legado permanece e uma homenagem a ela está no nome da nova sede administrativa da associação, o Edifício Voluntária Dona Cora.

Entrevistamos o presidente da AAHU, Pedro Camacho dos Santos, que fez uma palestra na sede da Apufsc-Sindical no dia 30 de julho. No evento, explicou com detalhes como funciona o trabalho na associação, desde o apoio espiritual aos pacientes Endashd+ com grupos católicos, evangélicos, espíritas e não ligado à religião Endashd+ até o acolhimento as pessoas que vem de outras cidades. Na entrevista, ele fala sobre sua trajetória na AAHU, sobre voluntariado, sobre a missão da entidade e sobre o legado da fundadora.

Apufsc-Sindical – Presidente, como foi o seu ingresso e sua trajetória na Associação Amigos do HU?

Pedro Camacho dos Santos – Eu entrei para a Associação em 2008 com esse propósito: ser um voluntário e trabalhar na visitação aos pacientes. Na medida em que o tempo foi correndo, surgiu uma necessidade de renovar a diretoria. As pessoas me diziam: “você tem um perfil que pode se encaixar naquilo que se espera do presidente, de alguém que está coordenando um trabalho”. O presidente é uma denominação estrutural, mas no fundo tem que saber conviver, ter bastante paciência quando é preciso, às vezes fazer as pessoas caminharem um pouco mais rápido também. Mas tem que ter sensibilidade pra perceber até que ponto se pode andar mais rápido. São voluntários, não é uma empresa. Eu fiquei presidente em abril de 2010, por uma eleição atendendo o que determina o estatuto, até abril de 2012. Em 2012, fui reeleito até abril de 2014.

AS- Quais são os pontos onde a AAHU atua?

PCS – A principal missão é trabalhar no sentido de oferecer apoio social e espiritual aos pacientes e aos seus acompanhantes. Em segundo lugar, contribuir na medida do possível com o hospital dando apoio material, efetuando compras que ele não pode fazer por impedimentos de edital, fazendo pequenas obras para melhorar a situação do paciente.

AS – São todos voluntários na associação. Qual a importância do voluntariado na sua visão?

PCS – Hoje essa questão do voluntariado está bastante em moda. O sujeito se aposenta, deixa aquele vínculo com a empresa, vai fazer o que? A indicação tem sido começar um trabalho como voluntário. Em qualquer lugar. No nosso caso a gente faz aqui no hospital, mas têm outras entidades, casas de apoio, creches, uma série de áreas em que a gente pode se doar. Então tem que ser um trabalho espontâneo, mas feito com responsabilidade. Hoje está muito nessa linha. E é essa linha que a gente procura levar.

AS- O que um voluntário da AAHU precisa ter? E o que vai encontrar no trabalho?

PCS – A gente procura sempre passar isso: você vem aqui na Associação com o propósito de ajudar alguém. Fazer uma prática da caridade para alguém. Não vem aqui pra buscar a realização pra ti, felicidade pra ti, alegria pra ti. Não. Isso acontece, mas como uma consequência do teu trabalho.

AS – Na semana passada, houve o falecimento da senhora Cora Coelho Duarte Silva, fundadora da associação. Qual foi o legado dela para os Amigos do HU?

PCS – Como legado dela tem exatamente isso, as últimas coisas que eu disse. O despojamento, ir ao encontro de uma pessoa com uma doença e que é um paciente do hospital e oferecer para ela um pouco de carinho, de atenção, ficar um pouco junto, ouvi-la. Ouvi-la. Ela insistia muito nisso: “a gente vai visitar um doente, não tem que ficar se preocupando em falar. Ouça. Ele quer falar, ele quer contar, deixa ele falar.”

AS – E o que a associação trouxe para a sua vida?

PCS – é uma experiência gratificante. Não vou dizer que não exige bastante, porque exige bastante compromisso. Tu não podes faltar um compromisso. Mas tem essa contrapartida, a sensação boa e gostosa de estar ajudando alguém.