Nota da Diretoria: Tornou-se impossível permanecer na Comeleufsc

A Comissão Eleitoral das Entidades Representativas da UFSC (Comeleufsc), infelizmente, não é mais autônoma e isenta. Ela foi colocada a serviço da reeleição do atual reitor pelo sindicato dos técnicos e de seus apêndices (as entidades estudantis).

O primeiro passo para isso foi o descumprimento do seu regimento interno, que exigia o consenso nas decisões. Um princípio que resguardava a autonomia de cada entidade. A partir disso, o primeiro ato foi ignorar o dissenso da Apufsc em relação ao voto presencial. Depois fizeram o que bem entenderam e usurparam o nome da comissão.

Mentiram sobre a aprovação das urnas pelo TRE/SC; se reuniram com o Tribunal sem nos informar; publicaram o edital regulando a consulta mesmo sem haver consenso; publicaram indevidamente as listas de votação com inconsistências e com a exposição de nomes sociais de pessoas sem a devida proteção; às escondidas, enviaram as listas de votação ao TRE; alteraram o e-mail da comissão e passamos a não mais saber das ações da tríade de entidades; abdicaram de realizar o tradicional debate entre as chapas.

Com o golpe contra o regimento, aceleraram a organização da consulta, marcada por um calendário extremamente curto – cerceando o debate e favorecendo quem está no poder – e com a exigência de voto presencial que inviabiliza o direito ao voto de um contingente de eleitores/as.

Esse casuísmo foi ampla e intensamente denunciado pela Diretoria da Apufsc. Nosso Conselho de Representantes (CR) igualmente apelou ao Conselho Universitário (CUn) para que aconselhasse as entidades na correção destas distorções. Mas a resposta institucional foi a omissão.

O CUn votou contra a pauta da autoconvocação, uma manobra inédita e antirregimental. Foi uma recusa em debater esses graves problemas sob o argumento de respeito à autonomia da Comeleufsc. Os conselheiros/as ignoraram o fato de que no final de 2025 eles próprios haviam aprovado a realização da consulta informal e a criação da Comissão Eleitoral. Provavelmente contaminados por interesses eleitorais e pressionados pelos militantes da tríade de entidades, ficaram desprovidos do bom senso e do uso da razão, acabaram por legitimar o casuísmo, na forma da exclusão de eleitores.

Ao lavar as mãos, o silêncio do CUn foi uma inequívoca interferência, através da mensagem: concordamos com uma consulta como está, ou seja, marcada pela pessoalidade, falta de moralidade, pela exclusão de eleitores e pela ausência de equidade entre os concorrentes. Como todos sabem, embora informal, a consulta tem uma função de filtrar candidaturas para que apenas a vencedora se apresente e seja eleita no CUn.

A UFSC é uma universidade respeitada e deveria dar o exemplo de democracia e responsabilidade pública. Deveria promover e legitimar um processo eleitoral respeitando os princípios da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência (Art. 37 da Constituição Federal).

Nossa postura foi até aqui de tolerância, apesar da intromissão em assuntos internos e dos ataques caluniosos à Apufsc serem recorrentes e inaceitáveis. Nos mantivemos na Comeleufsc, mas sempre deixando explícita a discordância quanto a forma de votação.

As reuniões da comissão se tornaram verdadeiras assembleias, com a participação de pessoas sem assento. Em várias oportunidades, nossos representantes foram desrespeitados e agredidos verbalmente, e diante da exaustão pessoal e política, alguns renunciaram a representação.

Nosso CR se reuniu no dia 5 de março para debater a situação e aprovou uma série de encaminhamentos: mobilizar as candidaturas e conselheiros do CUn para se posicionarem sobre os temas e ajudarem na solução.

Diante de resultados inócuos, convocamos uma nova reunião do CR para esta terça-feira, dia 24, cujo objetivo é o de analisar a situação e decidir sobre a permanência na Comissão. E, pelas razões acima expostas e considerando que não é correto abdicar de princípios por nós defendidos desde o início, a Diretoria irá propor ao CR a saída da Apufsc da Comeleufsc.

Entendemos que se nela permanecermos isso significará dar legitimidade a uma consulta excludente e antidemocrática, marcada pelo arbítrio e falta de equidade.