Biblioteca Central da UFSC celebra 50 anos do prédio no campus Trindade

Propósito central foi reconhecer todas as pessoas que fizeram parte da história da Biblioteca

Com apresentação musical do grupo “Feitiço”, exposição fotográfica e histórica e um café da tarde preparado para servidores, estudantes e usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Catarina (BC/UFSC), a comunidade celebrou os 50 anos do prédio localizado no campus Trindade, em Florianópolis.

O evento foi realizado na quarta-feira, dia 8, no hall da Biblioteca e marcou meio século de um espaço de grande circulação diária e referência no apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão da UFSC. A cerimônia reuniu representantes da gestão da instituição — entre eles o chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, a diretora-geral do Gabinete da Reitoria (GR), Camila Pagani, e a diretora da BC, Gleide Bitencourte Jose Ordovas. O propósito central foi reconhecer todas as pessoas que, ao longo de cinco décadas, fizeram da BU um lugar de encontro, de produção de conhecimento e de apoio à vida acadêmica de gerações de estudantes e pesquisadores da instituição.

Embora o prédio tenha completado 50 anos, a trajetória do setor é ainda mais longa, relembrou a diretora Gleide ao abrir a solenidade “que celebra a inauguração deste edifício em 1976”. O órgão suplementar foi criado em 1968, com a consolidação do Campus Universitário, para reunir os acervos das antigas faculdades (Direito, Ciências Econômicas, Farmácia, Odontologia, Medicina, Filosofia, Serviço Social e Engenharia Industrial) e ampliar o acesso à informação e ao conhecimento para a comunidade universitária.

Cerimônia reuniu representantes da gestão da UFSC. (Foto: João Hasse/Agecom UFSC)

Em sua fala, a diretora Gleide compartilhou a emoção de conduzir a Biblioteca nesse momento simbólico, recordando memórias e desafios recentes. “Tive que buscar as fotos históricas e ver o momento que foi escolhido o terreno”, contou. Reviveu “o momento que começaram a pensar no projeto e aí construíram o prédio”, as primeiras camadas de tinta e o teto novinho — lembranças que contrastam com o cenário que encontrou ao assumir a direção, há seis anos. Diante dessas dificuldades, Gleide mantém o olhar confiante: “esse prédio já aguentou tanto… ele é muito bom, ele é forte”. Para ela, a solidez do edifício é metáfora da própria BU e da comunidade que a sustenta. Ao longo de meio século, “já passou tanta gente boa que sempre lutou tanto”; é dessa “luta silenciosa, persistente e amorosa” que a biblioteca é feita.

A diretora lembrou ainda a inspiração que encontrou na trajetória de Alvaceli Lusa Braga (1961–1971). “Ela trabalhou, em certo momento, sentada num caixote”, quando nem mesa havia — e mesmo assim “desenhou um projeto de biblioteca quando quase nada existia”. Desse exemplo, tirou a lição da persistência. Para Gleide, quem ama o que faz e a instituição onde trabalha “vai atrás de resolver, porque tem objetivo e compromisso”. Esse comprometimento, explica, é cuidar do que se vê — espaços, acervo, infraestrutura — e do que não se vê: a memória, a dignidade do serviço público e a esperança de quem entra para estudar, pesquisar e sonhar.

Exposição com a história da Biblioteca. (Foto: João Hasse/Agecom UFSC)

Ao percorrer as fotografias que recontam essa história, Gleide admite que a “emoção é boa, de pertencimento” — e reafirma a dedicação à casa que dirige há seis anos, “juntando pessoas, articulando soluções, reformando quando é preciso”, celebrando cada conquista que devolve à BU o brilho que sempre foi seu. Para ela, essa comemoração é também um pacto com o futuro: renovar, ampliar e conectar a biblioteca às necessidades da UFSC e da sociedade. Porque a BU é mais do que um prédio; é um organismo vivo, “feito de gente, de histórias, de lutas e de afetos”.

A diretora do GR Camila Pagani destacou a dimensão institucional da data e o papel estruturante da BU para a UFSC. Para ela, mais do que um aniversário, trata-se de celebrar um pilar da universidade: “sem a biblioteca, a nossa universidade não existe, de fato. Não existe pesquisa, não existe extensão, muito menos ensino”. Camila ressaltou que o reconhecimento é fruto do trabalho coletivo “de várias gerações” que, ao longo do tempo, “sustenta a qualidade da biblioteca” — tanto na BC quanto “nos nossos campi, nas bibliotecas setoriais”. À frente da direção do Gabinete, disse ter visto “de perto” o alcance desse esforço e a força de uma equipe “muito grande” e diversa, cuja pluralidade “faz tudo funcionar”. Em nome do Gabinete, agradeceu “a cada um de vocês que faz tudo isso” e concluiu com um desejo: que a biblioteca “dure muitos e muitos anos, com a mesma qualidade”, “evoluindo cada vez mais”.

Na sequência, o chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, reforçou a centralidade da BU para o projeto acadêmico da instituição. Destacou o trabalho cotidiano “de todos vocês que atuam e que participam do dia a dia, dos desafios que a nossa biblioteca tem” e que asseguram “o adequado funcionamento” para a UFSC. Para ele, “seria um absurdo pensar uma universidade sempre qualificada como uma das principais do país e do nosso continente” sem uma biblioteca robusta. Ao celebrar “50 anos dessa edificação”, sublinhou a necessidade de um espaço “simbólico, emblemático” como “símbolo da importância dessa organização dentro do nosso campus”. Ponderou, no entanto, que o que define a BU é “a capacidade produtiva, isto é, os resultados acadêmicos, culturais e sociais que brotam do trabalho das pessoas. Esse é o grande valor desse prédio e das pessoas que estão aqui”, concluiu.

Espaço cresceu junto com a universidade

Por quase uma década, a Biblioteca Central funcionou sem sede própria. Somente em 1976 o prédio foi inaugurado, em um período de intensas transformações na UFSC: foi também nessa época que a Reitoria se transferiu definitivamente para o campus Trindade, consolidando a identidade física da universidade no bairro. A partir de 1977, teve início o processo de centralização e organização do acervo, e a instituição passou a adotar o nome pelo qual é conhecida até hoje: Biblioteca Universitária (BU).

O espaço cresceu junto com a universidade. Em 1995, o prédio foi ampliado em 3.594 m², chegando a 9.134 m² de área total — área inaugurada oficialmente em maio de 1996. Ao longo das décadas seguintes, a BU expandiu sua atuação para além do campus sede, integrando bibliotecas setoriais nos campi de Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville, além de unidades nos centros de ensino de Florianópolis.

Ao longo de 50 anos, a BU soube adaptar-se às demandas de cada época. Em 1978, consolidou sua integração aos grandes sistemas nacionais e latino-americanos de informação científica. Em 1981, revisou sua política de centralização de acervos e passou a coordenar o Sistema de Bibliotecas da UFSC, permitindo a expansão das bibliotecas setoriais em consonância com o crescimento da universidade. Em 2018, implementou o Portal de Atendimento Institucional (PAI), centralizando em um único canal digital os serviços oferecidos à comunidade.

Hoje, a BU coordena um sistema que engloba a Biblioteca Central e dez unidades setoriais, além da Sala de Leitura José Saramago — incorporada em 2016, junto à Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ).

Fonte: Notícias da UFSC