Projeto liderado pela UFSC avança em estudos sobre regeneração na Amazônia

Professora Ana Catarina Jakovac é coordenadora do projeto apoiado pelo CNPq

A regeneração natural pode reduzir custos da restauração florestal e ampliar a recuperação de áreas degradadas na Amazônia, mas ainda existem muitas incertezas sobre como esse processo ocorre em diferentes paisagens. Para responder a essas questões, pesquisadores e gestores públicos participaram, em Planaltina (DF), da primeira oficina presencial do projeto Regenera-Amazônia, um dos selecionados na chamada de 2025 do SinBiose, programa voltado à integração de conhecimentos científicos para subsidiar políticas públicas.

A professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Ana Catarina Jakovac é coordenadora do projeto Regenera-Amazônia apoiado pelo Centro de Síntese em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SinBiose/CNPq). A iniciativa reúne pesquisadores e gestores para produzir evidências científicas sobre regeneração natural e sua aplicação em políticas de restauração florestal. 

O projeto dá continuidade ao projeto contemplado na chamada anterior, coordenado por Rita Mesquita (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA) no período entre 2019 e 2023. Na primeira fase, a equipe organizou informação de centenas de áreas de florestas secundárias da Amazônia, formando a maior base de dados já organizadas sobre regeneração natural no bioma. Os resultados contribuíram para a elaboração de notas técnicas que subsidiaram a Instrução Normativa nº 14/2024 do Ibama, utilizada como referência para ações de restauração ecológica. 

Nesta nova etapa, o projeto busca compreender como diferentes áreas da Amazônia se regeneram naturalmente após o desmatamento e em que condições esse processo pode ser previsto com maior segurança. O objetivo é gerar informações capazes de reduzir incertezas sobre a restauração florestal e desenvolver indicadores, estratégias de monitoramento e outros instrumentos voltados ao aperfeiçoamento de políticas públicas.

Ao longo de três dias, 16 participantes discutiram resultados preliminares da pesquisa, organizaram frentes de trabalho e definiram os próximos produtos científicos e técnicos. A programação também incluiu atividades voltadas ao alinhamento conceitual, à integração da equipe e ao planejamento das análises que serão desenvolvidas nos próximos anos. 

Reuniões de imersão e integração entre ciência e gestão

Diferente de um seminário tradicional, uma oficina de imersão combina apresentações curtas com longos períodos de trabalho colaborativo, durante os quais os pesquisadores analisam conjuntamente dados, hipóteses e estratégias analíticas.

Segundo Catarina Jakovac, da UFSC, o formato presencial favorece a construção coletiva do conhecimento. “Queremos avançar juntos e, para isso, um processo de imersão é ideal, porque temos tempo de qualidade para nos debruçar sobre as diferentes questões do projeto de forma mais livre, o que possibilita novos insights. As interações on-line são importantes para o desenvolvimento do projeto, mas é nas imersões presenciais que acontece o maior engajamento dos participantes e as melhores ideias”, complementa a coordenadora.

Outro aspecto que a experiência anterior no SinBiose mostrou foi que a participação dos gestores contribui para tornar os objetivos da pesquisa mais conectados aos desafios enfrentados pelos órgãos ambientais. “Na fase 1 do Regenera percebemos que nossas perguntas eram mais acadêmicas. Quando realizamos um encontro com representantes das secretarias estaduais de meio ambiente da Amazônia, houve um direcionamento das discussões. Passamos a formular questões mais contextualizadas e com maior potencial de contribuir para a tomada de decisão”, relata Jakovac.

Fonte: Notícias da UFSC