Instalados em locais de grande circulação, os bancos vermelhos buscam romper o silêncio e manter o tema presente no cotidiano da universidade
A cor vermelha ganhou um significado especial nos espaços da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na tarde desta quarta-feira, dia 2. Em uma ação realizada simultaneamente em 14 unidades da instituição, membros da comunidade universitária se reuniram para pintar bancos e chamar a atenção para o enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres.
A mobilização ocorreu nos centros Socioeconômico (CSE), de Comunicação e Expressão (CCE), Tecnológico (CTC), de Desportos (CDS), de Ciências Agrárias (CCA), de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM) e de Ciências Biológicas (CCB), além dos campi de Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville, da Biblioteca Universitária (BU) e do Hospital Universitário (HU).
No Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, a pintura foi promovida pela Administração Central da UFSC. A atividade contou com a participação da vice-reitora, Felipa Amadigi; da secretária de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE), Maria de Lourdes Alves Borges; da pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), Evelise Santos Sousa, do secretário de Comunicação (Secom), Aureo Moraes, setores que promoveram a iniciativa.
Instalados em locais de grande circulação, os bancos vermelhos buscam romper o silêncio e manter o tema presente no cotidiano da universidade. Mais do que as intervenções visuais, eles representam um convite ao diálogo, à escuta e à reflexão sobre relações marcadas pela misoginia e pelo sexismo. A iniciativa também possui caráter preventivo, educativo e pedagógico, ao estimular a comunidade a reconhecer situações de violência e se posicionar diante delas.

Durante a atividade, a professora Felipa ressaltou a urgência de fortalecer a participação e a voz feminina nos diferentes ambientes da instituição. A vice-reitora contextualizou que o banco pintado coletivamente torna-se um símbolo de responsabilidade compartilhada; e que cada pincelada representa a possibilidade de transformar um espaço de passagem em um lugar de memória, conscientização e compromisso.
“Cada um de vocês seja muito bem-vindo a refletir sobre o tema, a encarar esse desafio de defender a voz das mulheres, de defender as mulheres em qualquer espaço em que elas estejam ou queiram estar”, declarou Felipa.
A vice-reitora também reforçou que o combate à violência passa necessariamente pela educação e pelo envolvimento de toda a sociedade. Proteger as mulheres, segundo ela, também significa promover relações baseadas no respeito, enfrentar atitudes discriminatórias e construir ambientes nos quais as vítimas se sintam seguras para falar e buscar ajuda.
Felipa destacou ainda que se trata de todas as mulheres: “das que estão nos espaços de gestão, das docentes, das nossas estudantes, das nossas mães, das mulheres indígenas, quilombolas e trans”, afirmou. Garantir que todas as pessoas sejam ouvidas, reconhecidas e protegidas, acrescentou, não pode depender apenas de atitudes individuais. O enfrentamento à violência requer um esforço coletivo, envolvendo a gestão universitária, os diferentes setores da instituição e toda a comunidade acadêmica.
Como parte desse compromisso, a UFSC pretende cumprir as etapas possíveis para concorrer a um selo concedido ao reconhecimento de instituições de ensino superior comprometidas com o combate à violência contra as mulheres. “A nossa universidade vai se dedicar a percorrer todas as etapas para garantir que, na UFSC, as mulheres tenham liberdade e proteção contra a violência”, declarou a vice-reitora.
Ao final da atividade, Felipa lembrou que o convite simbolizado pelos bancos vermelhos não termina quando a tinta seca. A proposta é fazer com que a reflexão permaneça e se transforme em atitudes concretas de prevenção, acolhimento e denúncia. “A gente convida todo o mundo para pintar, mas também para se incomodar com o que estamos falando e replicar essas informações, para evitar que as mulheres continuem sendo vítimas de violência e de feminicídio”, concluiu.
Iniciativas da UFSC
O campus Trindade da UFSC já possui um banco vermelho, inaugurado em abril deste ano em homenagem à estudante Catarina Kasten, que foi assassinada por um homem no dia 21 de novembro de 2025, na trilha da praia do Matadeiro, em Florianópolis. O banco está localizado em frente ao Centro de Comunicação e Expressão (CCE), onde Catarina cursava pós-graduação em Inglês – Estudos Linguísticos e literários.
A universidade aprovou recentemente uma Política de Equidade de Gênero no âmbito da UFSC (Resolução Normativa Nº 231, do Conselho Universitário). Entre outros objetivos, a política estabelece a busca da equidade de gênero e a prevenção e enfrentamento de todas as formas de violência baseadas no gênero das pessoas.
Na UFSC, existem canais de denúncias, como a Ouvidoria, e também o Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (Seavis), vinculado à Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe). O Seavis é um espaço seguro onde estudantes ou servidores da UFSC que tenham passado por situações de violência encontram acolhimento, orientações e acompanhamento para lidar com essas situações.
Em relação às violências e discriminações de gênero e LGBTfóbicas, a Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero (CDGen), da Proafe, ocupa papel central.
Sua atuação envolve escuta empática, acolhimento, encaminhamentos internos e externos, apoio e orientação para a realização de denúncias e acompanhamento de demandas relacionadas às vivências de violência, discriminação por orientação sexual e/ou identidade de gênero e violência contra as mulheres na comunidade universitária.
Há cerca de cinco anos, a CDGen mantém projetos de extensão de caráter educativo e conscientizador, como o “Entre Laços”, em formato de grupo reflexivo, realizado virtualmente, com rodas de compartilhamento, escuta e apoio às mulheres; e o “Refletindo masculinidades”, grupos reflexivos voltados a homens, em formato de rodas de conversa virtuais.
Se você está passando por uma situação de violência ou conhece alguém que esteja, procure ajuda. A denúncia pode ser feita de forma anônima. Ligue 180 ou pelo WhatsApp (61) 9610-0180.
Fonte: Notícias UFSC
