Desabafo de uma professora vira Samba do Ensino Remoto

Confira a música feita por uma professora universitária, que traduz a nova (e exaustiva) rotina docente

A rotina extenuante de professores e professoras durante a pandemia virou samba na voz da professora Stella Maris Nicolau e do músico Felipe Bemol. “Desde março eu moro no computador…”, diz a letra composta despretensiosamente, como um desabafo, depois de um dia de trabalho com aulas síncronas, assíncronas, reuniões, orientações de tese, afazeres domésticos.

Sella Maris Nicolau, de 53 anos, é coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da Unifesp, em Santos. A professora estuda piano e, durante a pandemia, começou a participar de um coral online. O talento com a música e o cansaço com a nova rotina deram origem ao samba do ensino remoto. “Fiz e cantarolei para os alunos. Eles gostaram e mandei para um amigo sambista, o Felipe Bemol, que entrou com o violão.” A música acabou viralizando depois que Stella mostrou o áudio em um encontro nacional de docentes de Terapia Ocupacional, nesta semana.

“Escrevi num dia em que estava de saco cheio. Minha rotina está extremamente intensificada”, diz. “Sou coordenadora do curso, são muitas reuniões remotas, orientações, bancas, lives, conversa com aluno.”

Além das atividades profissionais, Stella ainda divide o tempo com as tarefas de casa. Ela mora com o marido e com a filha, que está concluindo o curso de Pedagogia, também remotamente. O pai e a sogra de 90 anos moram na mesma casa e precisam de cuidados. “Os dias são pesados e são todos iguais. É uma precarização da vida.”

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