O atendimento é gratuito e sigiloso
Criado em 2023, o Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (Seavis) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem sido uma importante porta de entrada para estudantes e servidores que vivenciam situações de violência no ambiente universitário. Vinculado à Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) o serviço oferece escuta qualificada, orientação e acompanhamento, contribuindo para o enfrentamento das violências na instituição.
A experiência do Seavis foi recentemente apresentada no I Congresso Internacional “Tempos de violências e extremismos: interrogações e perspectivas”, realizado em março, na Universidade de São Paulo (USP). No evento, o chefe do serviço, o psicanalista e psicólogo educacional Lucas Emmanoel de Oliveira, compartilhou dados e reflexões construídas a partir do acompanhamento de estudantes na UFSC.
Desde a criação, o Seavis já acompanhou 99 estudantes, totalizando 384 acolhimentos entre 2023 e 2025. A partir dessa experiência, o serviço também tem contribuído para a compreensão das dinâmicas de violência no ambiente universitário. Para Lucas, a universidade não está isolada das desigualdades sociais. “Ela é uma manifestação particular da sociedade. Isso significa que não apenas reproduz desigualdades históricas, mas, em alguns casos, também pode intensificá-las”, afirma. Ele lembra que a ampliação do acesso ao ensino superior nos últimos anos trouxe maior diversidade para dentro das instituições, mas também evidenciou conflitos e resistências.
Segundo Lucas, o principal objetivo do Seavis é garantir um espaço seguro de escuta para pessoas em situação de violência. “O serviço busca oferecer acolhimento e apoio, orientando sobre as possibilidades de encaminhamento tanto na universidade quanto em órgãos externos, além de realizar acompanhamento quando necessário”, explica. O atendimento é voltado a toda a comunidade universitária, estudantes, docentes e técnicos-administrativos, de todos os campus da UFSC. Podem procurar o serviço pessoas que tenham vivenciado situações como assédio moral, assédio sexual, racismo, homotransfobia, capacitismo, entre outras formas de violência.
Acolhimento sigiloso
De acordo com Lucas, o diferencial do atendimento está na forma como ele é conduzido. “O acolhimento é feito de maneira sigilosa, protegida e respeitosa. A pessoa é convidada a falar livremente, no seu tempo, até que o tema da violência possa emergir espontaneamente”, destaca.
Após essa escuta inicial, a equipe, composta atualmente por um psicólogo e uma assistente social, avalia as necessidades mais imediatas, que podem envolver questões de segurança, saúde ou acadêmicas. Em seguida, são apresentadas as possibilidades de encaminhamento, incluindo serviços da própria universidade, redes externas de apoio e orientações sobre como formalizar denúncias. “Quando necessário, e sempre respeitando a vontade da pessoa atendida, são agendados novos encontros para dar continuidade ao acompanhamento”, acrescenta Lucas.
Outro ponto destacado diz respeito aos efeitos das violências sobre os sujeitos. “Temos observado que, quando a experiência de violência encontra reconhecimento e escuta, torna-se possível elaborar seus efeitos. Isso permite que ela não paralise o sujeito e, em alguns casos, pode até se transformar em indignação e ação coletiva”, explica. Além do atendimento individual, o Seavis também atua em parceria com outros setores da UFSC na promoção de ações educativas, como oficinas, cursos e rodas de conversa. O objetivo é ampliar o debate e fortalecer uma cultura institucional baseada no respeito e na equidade.
Para acessar o serviço, é possível agendar atendimento pelo site oficial (Seavis/PROAFE) ou entrar em contato via WhatsApp pelo número (48) 3721-6229. O atendimento é gratuito e sigiloso.
Fonte: Notícias da UFSC
