Sem para-raios, “risco de acidente de grandes proporções é real e iminente” no CFM da UFSC, alerta direção

Prédio de laboratórios do Departamento de Química teve fiação dos para-raios furtada, tornando os dispositivos inoperantes; direção do centro cita ainda outros problemas

A Apufsc-Sindical trabalha na elaboração de um novo Dossiê das Condições de Trabalho Docente e Funcionamento Geral da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), como já foi feito em  2022 e 2023, para entregar à nova gestão da instituição um documento atualizado com as principais demandas da categoria.

As informações foram obtidas junto aos centros de ensino e campi. Entre os relatos coletados entre abril e maio de 2026, chama a atenção a situação do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM), em Florianópolis.

Os professores Luiz Augusto dos Santos Madureira e Raphael da Hora, diretor e vice do CFM, enviaram à Apufsc-Sindical um extenso relato em que afirmam que o centro “enfrenta uma crise estrutural profunda e duradoura, que contrasta de forma alarmante com sua expressiva produção acadêmica e científica”.

Diz o documento que “trata-se, sem exagero, do centro com a pior infraestrutura física de toda a universidade, e, paradoxalmente, um dos mais produtivos em termos de excelência no ensino, na pesquisa, na pós-graduação e nas atividades de extensão”.

Obra inacabada

Obra do prédio administrativo do CFM começou em julho de 2013 e está parada; mato já toma conta da estrutura (Foto: Bruno Ricardo/Apufsc)

A direção aponta como símbolo mais visível dessa crise a obra inacabada do CFM. “Às vésperas do segundo turno da consulta informal à Reitoria, o então reitor [Irineu Manoel de Souza] anunciou publicamente, por meio das redes sociais, o lançamento de uma nova licitação para a conclusão do prédio administrativo e para a construção de um prédio anexo destinado a salas de aula e espaços discentes, incluindo centros acadêmicos e atléticas estudantis. No entanto, até o momento, nenhuma informação oficial foi disponibilizada à comunidade do CFM sobre o lançamento do edital de licitação, tampouco sobre os valores que serão inicialmente empenhados nessas obras”, cita o documento.

A construção do prédio administrativo do CFM começou em julho de 2013. A obra, que previa a construção de laboratórios de ensino e pesquisa, salas de apoio administrativo, biblioteca, auditório, lanchonete, sala de reprografia, sala da Direção, era para ter sido concluída em novembro de 2014. Entretanto, o contrato com a empresa construtora foi rescindido em junho de 2015 com 43,3% da obra concluída.

Em janeiro de 2020, a obra foi retomada, dessa vez com previsão de conclusão para julho de 2021. Mas em abril de 2023, apenas 18,6% da obra prevista foi executada e parou novamente.

Centro tem apenas sete salas de aula

De acordo com a direção, o CFM opera atualmente com apenas sete salas de aula, sendo três no Departamento de Física e quatro em antigas estruturas precárias adaptadas, originalmente pertencentes ao Centro de Ciências Biológicas (CCB). “Esse parco conjunto de espaços precisa dar conta de mais de 300 turmas por semestre, oriundas dos nove cursos de graduação e dos sete programas de pós-graduação do centro, além de atividades de extensão, pesquisa e funções administrativas igualmente alocadas em estruturas inadequadas”, aponta a direção, que destaca que isso “compromete a qualidade do ensino e as condições de trabalho de docentes, discentes e servidores técnicos”.

Para-raios inoperantes colocam prédios em risco

Outro problema grave diz respeito à segurança. O prédio de laboratórios do Departamento de Química tem diversas hastes de para-raios instaladas no telhado, porém toda a fiação foi furtada, tornando os dispositivos completamente inoperantes.

“Em vez de proteção, as hastes passaram a funcionar como atratores de descargas elétricas, sem qualquer escoamento seguro para o solo”, diz o documento. Os diretores acrescentam que “considerando que esses laboratórios armazenam produtos químicos de alta periculosidade, o risco de um acidente de grandes proporções é real e iminente”.

O mesmo problema afeta os blocos G e E do Departamento de Física, o prédio do Departamento de Matemática e o bloco da Colina, “expondo toda a comunidade do CFM a um perigo inaceitável”.

Prédios do CFM estão desprotegidos com sistema de para-raios inoperante (Foto: Stefani Ceolla/Apufsc)

Além disso, os departamentos de Física e Química enfrentam sérias limitações na infraestrutura elétrica de seus prédios, “que simplesmente não comportam a demanda dos equipamentos utilizados nos laboratórios de pesquisa”. Para a direção, essa deficiência não apenas restringe as atividades científicas, como representa um risco adicional de sobrecarga e incêndio.

O documento enviado pela direção do CFM cita ainda a Coordenadoria Especial em Oceanografia, “cuja infraestrutura de alocação docente é, muito provavelmente, a pior de toda a UFSC”. Segundo a direção, o Bloco D, localizado ao lado do Espaço Físico Integrado (EFI), apresenta sérios problemas na rede elétrica, e seus laboratórios funcionam em estruturas adaptadas que anteriormente pertenciam ao CCB, “espaços que nunca foram concebidos para esse fim e que não reúnem as condições mínimas exigidas para o desenvolvimento de atividades científicas e acadêmicas de qualidade”. Além disso, docentes e discentes alocados neste bloco dispõem de apenas um pequeno banheiro, situado no térreo do prédio e pertencente ao CCB.

Por fim, a direção relata que os centros acadêmicos, as atléticas e o Programa de Educação Tutorial (PET) da Matemática estão alocados em estruturas inadequadas, sem qualquer sistema de conforto térmico, expondo estudantes a condições adversas ao longo de todo o ano.

O CFM é, depois do Centro Tecnológico (CTC), o que concentra o maior número de estudantes matriculados em turmas de graduação na UFSC. As turmas são, em média, compostas por 60 estudantes matriculados, chegando a 100 em alguns casos.

Stefani Ceolla
Imprensa Apufsc