UFFS quer ser “popular e de qualidade”

Segunda-feira passada, dia 29, marcou uma data histórica. Foi quando a segunda universidade federal de Santa Catarina começou a ministrar aulas. Com a oferta de 42 cursos de graduação, 2.160 alunos, 165 professores e 220 servidores técnico-administrativos, espalhados em cinco campi no Paraná, Rio Grande de Sul e em Chapecó, sede administrativa da instituição, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) é fruto da mobilização de longa data das comunidades da região e dos movimentos sociais.

A Universidade não começa a pleno vapor. Novos cursos entrarão em funcionamento e  editais para contratação de mais professores e técnico-administrativos devem ser publicados esta semana.

Ex-professor da UFSC e agora reitor da UFFS, Dilvo Ristoff concedeu a entrevista abaixo ao Boletim da Apufsc.


Qual foi a sensação que tomou conta do campus e a reação da comunidade de Chapecó com o início das aulas?

Tivemos uma cerimônia pela manhã, hasteando as sete bandeiras (Brasil, Mercosul, RS, SC, PR, Chapecó e da UFFS) ao som do hino nacional executado pela banda da Polícia Militar. Foram feitos vários discursos emocionados de parlamentares, do representante do governo do estado e de líderes dos Movimentos Sociais. Foram momentos de forte emoção e de muita alegria e satisfação, especialmente para aqueles que nos últimos doze meses se entregaram diuturnamente e abnegadamente à tarefa de ver transformado em realidade este importante sonho coletivo.


E qual sentimento tomou conta de professores, técnicos e alunos?

Desde o dia 1º de março, quando transferimos a reitoria para Chapecó, os professores e técnicos já contratados estiveram envolvidos com a arrumação dos espaços, carregando mesas, cadeiras, computadores , quadros, carteiras, etc. Todos trabalhamos para garantir que a meta de iniciar as aulas no dia 29 pudesse ser cumprida. Com as salas cheias de estudantes às 8 da manhã,  a sensação foi de dever cumprido. A sensação predominante entre os professores e técnicos tem sido, sobretudo, o de pioneirismo, de ser o primeiro: o primeiro professor de filosofia, o primeiro a lançar o primeiro livro da biblioteca no sistemad+ o primeiro diretor, o primeiro coordenador, etc.  Há uma nítida sensação de que todos estão fazendo história, ao ajudar a construir a universidade. Quando me encontrei com eles pela primeira vez, no auditório lotado, apresentei-lhes ea cronologia que levou à construção da UFFS, desde 2005. Terminei a cronologia, destacando reunião que estávamos tendo naquele momento, deixando claro que a partir de então eles também eram parte desta história. Foram vários minutos de aplausos e de profunda emoção.

Após a cerimônia, reunimos os calouros, que não tiveram que enfrentar trote, pois não há veteranos… À medida que íamos falando de nossos planos para a universidade para os próximos  anos, foi possível  ver lágrimas de felicidade nos olhos de muitos. Emblemático foi o caso do aluno de pé quebrado, que fez questão de vir ao campus no primeiro dia: “não perderia o primeiro dia por nada”, disse.

Quais os desafios da UFFS neste começo?

São muitos e só posso aqui destacar alguns. Na frente administrativa: construir os procedimentos administrativos autônomos que vão nos tornar independentes da UFSC, nossa tutora, nos próximos mesesd+ construir os prédios nos terrenos definitivosd+ assegurar que nossos estudantes, professores e estudantes tenham os apoios de que necessitam para realizar bem as suas tarefas. Na frente acadêmica eu destacaria: garantir que a UFFS possa ser não só uma universidade pública popular, mas também uma universidade de qualidaded+ e trabalhar permanentemente com a sociedade e pela sociedaded+ na frente política: atuar junto aos atores que definem as políticas educacionais para que os apoios, especialmente os financeiros,  sejam assegurados. Há que se fazer um trabalho permanente de mobilização, reunindo reitores e a comunidade acadêmica organizada, para assegurar que os compromissos assumidos nos últimos anos com a universidade pública não sofram revezes nos próximos anos.