Estudo dos EUA aponta desmonte autoritário de políticas públicas no Brasil

Colunista do UOL Kennedy Alencar destaca que ascensão da extrema-direita desencadeou mudanças de destruição do estado e retrocessos nas políticas social, ambiental, diplomática, de direitos humanos e educacional

O governo Bolsonaro promove “um desmonte autoritário das políticas públicas”, diz um estudo do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oklahoma (EUA). O levantamento foi realizado pela professora assistente de estudos internacionais Michelle Morais de Sá e Silva. Alternâncias naturais de poder geram mudanças na máquina pública dos países. Mas o que aconteceu no Brasil, com a ascensão da extrema-direita nas eleições de 2018, desencadeou mudanças de destruição do estado e retrocessos nas políticas social, ambiental, diplomática, de direitos humanos e educacional, aponta o estudo, que entrevistou 337 servidores e ex-funcionários públicos.

Segundo Michelle, que se descreve como “otimista”, seria possível reverter esses retrocessos no espaço de um mandato presidencial, se Bolsonaro não obtiver um segundo termo. “Mas vai dar trabalho”, avisa. Veja acima a íntegra da entrevista ao UOL News, concedida na noite desta quinta-feira. A professora da Universidade de Oklahoma conta que ocorre no Brasil uma política de desmonte marcada pelo “autoritarismo” que afeta as estruturas profissionais da burocracia. Bolsonaro vê o funcionalismo público como “esquerdista, petista e comunista”, o que o levou a promover expurgos em cargos de chefia em repartições que cuidavam de políticas públicas importantes.

Nas entrevistas com servidores e ex-servidores federais, foram comuns relatos de que está em curso “um projeto explícito de destruir o Estado”. Há afirmações de servidores que contavam os dias para se aposentar. Revelações de que funcionários qualificados se abrigaram em funções mais simples para esperar “Bolsonaro passar”. Relatos apontam extinção de departamentos inteiros em alguns ministérios. No fundo, Bolsonaro faz um desmonte por desconfiar do funcionalismo.

Ao tratar os servidores como inimigos, o governo estimula o fenômeno de fuga de cérebros da máquina pública e do Brasil. O estudo revela que há uma política de nomear militares e evangélicos para funções de chefia nos ministérios, um aparelhamento típico do bolsonarismo. Além de professora assistente da Universidade de Oklahoma, Michelle Morais de Sá e Silva tem doutorado pela Universidade de Columbia e é codiretora do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oklahoma.

Fonte: Kennedy Alencar, UOL

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