Desde o início desse processo eleitoral para a Reitoria da UFSC, a Apufsc-Sindical tem prezado pela construção de regras claras, exequíveis e democráticas. Mesmo que discordantes, depois que o certame iniciou, respeitamos a implementação das regras estabelecidas e seu funcionamento. Mas alterar as regras eleitorais depois da votação ocorrida é erro grave, e isso se chama casuísmo.
Os fins não justificam os meios. E nossa posição de não alterar as regras visa manter a lisura da votação e, antes mesmo que se abrissem as urnas, afirmamos categoricamente que qualquer evidência de erros em listagens de votação, incluindo a dos estudantes do campus de Blumenau, deveria ser corrigida no segundo turno.
Esse conturbado processo eleitoral é de inteira responsabilidade das três entidades e de todos os que se omitiram em discutir e apontar correções no momento justo, anterior ao início do primeiro turno.
Foram em vão os apelos que fizemos para a correção do apressado calendário, o qual não apenas cerceou o debate político, mas que poderia gerar dificuldades e erros de organização, como se demonstrou agora nas listas de votação.
Defendemos ainda o princípio da não exclusão de eleitores, um efeito previsível e grave que seria gerado pelo voto presencial, mas fomos igualmente ignorados. E, muito pior, fomos absurdamente acusados de querer alterar as regras eleitorais. A ironia agora é essa: ver agora quem nos acusava fazendo justamente mudanças nas regras. A pergunta é: a quem interessa isso?
As listas de votação, sempre organizadas às pressas pelas três entidades, foram publicadas e depois retiradas por conter vários e graves problemas. Todavia, as listas que organizaram o primeiro turno foram checadas e validadas por todas as chapas.
Um dia após encerrada a votação, sabíamos que apenas estava assegurada uma chapa em primeiro lugar e se aguardava o escrutínio de três campi (Joinville, Araranguá e Blumenau) para saber quem iria junto ao segundo turno.
No início da noite desta quinta-feira, foram contabilizados os votos desses campi, exceto uma única urna de estudantes de Blumenau – urna essa que não mais alteraria o resultado atual. Eis, então, a surpresa: os representantes do sindicato dos técnicos, que até então eram contra a reabertura da votação naquele campus, mudou de posição, se somando às representações estudantis.
Com isso iniciaram um teatrinho de democracia, não por um nobre objetivo, mas sim para jogar para a plateia e fazer uma “dancinha de acasalamento” na tentativa de serem simpáticos aos eleitores da chapa que ficou em terceiro lugar. O preço disso tudo é o descrédito no sistema de consulta informal, com o qual não concordamos.
Por fim, rasgando novamente o regimento da Comissão Eleitoral, por maioria impuseram a reabertura de votação para uma urna de estudantes do campus de Blumenau, com uma lista ainda não definida. Isso implicará de imediato um tempo para realizar essa consulta e necessariamente alterar a data de votação do segundo turno. Algo que provavelmente exigirá que o Conselho Universitário (CUn) também altere seu calendário. Sobre isso, a Comeleufsc nada disse em seu comunicado divulgado na quinta-feira.
Nosso papel como sindicato tem sido alertar, apontar erros de condução, apelar para o bom senso de todos os envolvidos e continuaremos a fazer isso por respeito à democracia e à instituição, mas é evidente que a política na UFSC está degradada, tanto quando esse sistema de consulta informal.
Esperamos que a nova legislação, recentemente aprovada no Congresso Nacional, resolva isso, e que seja o CUn que definitiva e exclusivamente conduza as eleições futuras para a Reitoria.
